{"id":94,"date":"2021-05-21T18:52:15","date_gmt":"2021-05-21T21:52:15","guid":{"rendered":"http:\/\/institutoruthguimaraes.org.br\/blog\/?p=94"},"modified":"2021-05-21T18:52:15","modified_gmt":"2021-05-21T21:52:15","slug":"noticias-de-esporte","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/institutoruthguimaraes.org.br\/blog\/noticias-de-esporte\/","title":{"rendered":"Not\u00edcias de Esporte"},"content":{"rendered":"<div>O glorioso C. F. C. (Cachoeira Futebol Clube) era um time que n\u00e3o brincava em servi\u00e7o.Neg\u00f3cio dos jogadores, ou do t\u00e9cnico, ou de quem se arvorava em treinador, era ganhar: no apito, no tapa, na bola, na pancadaria, no grito, ganhavam os craques no campo e a torcida no murro, qualquer forma de ganhar era boa para o invicto. Havia uma rivalidade, isto \u00e9, uma inimizade cong\u00eanita, por assim dizer, entre o Cachoeira F. C. e todos os outros clubes do Vale. Depois do jogo, e \u00e0s vezes at\u00e9 durante, era pancadaria na certa. Nic\u00e1cio Soldado e mais tr\u00eas milicos apareciam e muita gente ia em cana. Ia-se alegremente, \u00e9 verdade, cadeia n\u00e3o foi feita pra cachorro, foi feita pra torcedor. No dia seguinte, uma segunda-feira de servi\u00e7o, os parentes ou os patr\u00f5es dos baderneiros iam retir\u00e1-los, mediante uma fiancinha. Isso quando era em casa.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>E ent\u00e3o o glorioso foi convidado para um amistoso em Quiririm.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>&#8211; T\u00e1 no papo! \u2013 diziamos nossos, os mais exaltados de boca cheia.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Dois caminh\u00f5es lotados levaram a risonha torcida, para o jogo e mais um fot\u00f3grafo, dubl\u00ea de torcedor. Selecionaram o Q.G. dos brig\u00f5es: Pula N\u00e1gua, Pedr\u00e3o, Negrinho do Norato, Escapulido, Tunico Gordo (que era magro como um cabo de vassoura vestido), o Turco Louco, o Galinha Cega, o Tib\u00farcio, o Leopordo Vam\u2019entr\u00e1-de-acordo, e por a\u00ed al\u00e9m.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Dizer que o jogo transcorreu tranq\u00fcilamente seria exagero, mas ningu\u00e9m esperava o transtorno da \u00faltima hora, que ati\u00e7ou a malqueren\u00e7a geral. Um carrinho,dado de m\u00e1 f\u00e9, um bate-boca nas arquibancadas, quando se viu, estavam os valentes torcedores cachoeirenses disputando com os locais uma corrida de velocidade ol\u00edmpica. Corrida dir-se-ia que contra a morte, t\u00e3o acirrada e animosa, de ambos os lados. E os gritos, santo Deus?! E o nome da m\u00e3e?! Cachoeirense n\u00e3o gritava. Somente corria. Num \u00faltimo arranco, por fim conseguiram certa dist\u00e2ncia, os caminh\u00f5es vieram de encontro, o carro do doutor delegado apontou na esquina, encheram atabalhoadamente os dois merced\u00f5es e, &#8211; para os motoristas apavorados:<\/div>\n<div><\/div>\n<div>&#8211; P\u00e9 na t\u00e1bua! Depressa como quem furta!<\/div>\n<div><\/div>\n<div>L\u00e1 se foram,fugindo, os craques do mais aguerrido futebol do Vale.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Quase desembocando na Dutra, perceberam que estavam sendo seguidos.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>&#8211; Corre, Jo\u00e3o On\u00e7a! Pisa desgra\u00e7ado!<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Zel\u00e3o da Geralda, na sua fala descansada, comentou:<\/div>\n<div><\/div>\n<div>&#8211; Eu ia jurar que aquele que vem gritando e sacolejando o guarda-chuva \u00e9 seu Padre!<\/div>\n<div><\/div>\n<div>&#8211; \u00c9 mesmo gente! \u00c9 o seu Padre.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>E de l\u00e1 aquela gritaria:<\/div>\n<div><\/div>\n<div>&#8211; Pera a\u00ed! P\u00e1ra a\u00ed!<\/div>\n<div><\/div>\n<div>&#8211; Que p\u00e1ra!? Que espera o qu\u00ea?<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O caminh\u00e3o da frente parou.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>P\u00e1ra! P\u00e1ra! \u00c9 de paz.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>E era. Seu Padre vinha trazendo dois retardat\u00e1rios suicidas que, com a press\u00e3o dos fuj\u00f5es, tinham ficado para tr\u00e1s.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Passado o susto e retomada a marcha com mais dois a bordo, o Tib\u00farcio e o Escapulido, o treinador avisou, serioso:<\/div>\n<div><\/div>\n<div>&#8211; Pessoal! Ningu\u00e9m conta, ningu\u00e9m precisa saber que n\u00f3s deixamos dois dos nossos na m\u00e3o do inimigo.<\/div>\n<div>Mas havia o fot\u00f3grafo, cuja l\u00edngua n\u00e3o cabia na boca.<\/div>\n<div><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-91\" src=\"http:\/\/institutoruthguimaraes.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Botelho-Netto-1480-300x165.jpg\" alt=\"Instituto Ruth Guimar\u00e3es\" width=\"300\" height=\"165\" title=\"Instituto Ruth Guimar\u00e3es\" srcset=\"http:\/\/institutoruthguimaraes.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Botelho-Netto-1480-300x165.jpg 300w, http:\/\/institutoruthguimaraes.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Botelho-Netto-1480-1024x564.jpg 1024w, http:\/\/institutoruthguimaraes.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Botelho-Netto-1480-768x423.jpg 768w, http:\/\/institutoruthguimaraes.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Botelho-Netto-1480-1536x846.jpg 1536w, http:\/\/institutoruthguimaraes.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Botelho-Netto-1480-2048x1128.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O glorioso C. 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