{"id":1987,"date":"2022-12-03T21:54:34","date_gmt":"2022-12-04T00:54:34","guid":{"rendered":"http:\/\/institutoruthguimaraes.org.br\/site\/?p=1987"},"modified":"2023-01-31T15:21:05","modified_gmt":"2023-01-31T18:21:05","slug":"ruth-guimaraes-vive","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutoruthguimaraes.org.br\/site\/ruth-guimaraes-vive\/","title":{"rendered":"Ruth Guimar\u00e3es vive!"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_1988\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1988\" class=\"wp-image-1988 size-medium\" title=\"Regina Helena Paiva Ramos\" src=\"https:\/\/institutoruthguimaraes.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/WhatsApp-Image-2022-12-03-at-21.42.11-300x300.jpeg\" alt=\"Regina Helena Paiva Ramos\" width=\"300\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/institutoruthguimaraes.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/WhatsApp-Image-2022-12-03-at-21.42.11-300x300.jpeg 300w, https:\/\/institutoruthguimaraes.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/WhatsApp-Image-2022-12-03-at-21.42.11-1024x1024.jpeg 1024w, https:\/\/institutoruthguimaraes.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/WhatsApp-Image-2022-12-03-at-21.42.11-150x150.jpeg 150w, https:\/\/institutoruthguimaraes.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/WhatsApp-Image-2022-12-03-at-21.42.11-768x768.jpeg 768w, https:\/\/institutoruthguimaraes.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/WhatsApp-Image-2022-12-03-at-21.42.11-75x75.jpeg 75w, https:\/\/institutoruthguimaraes.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/WhatsApp-Image-2022-12-03-at-21.42.11.jpeg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><p id=\"caption-attachment-1988\" class=\"wp-caption-text\">Regina Helena Paiva Ramos<\/p><\/div>\n<p>Acabo de ler \u201cMem\u00f3rias da Casa Velha \u2013 Biografia e legado de Ruth Guimar\u00e3es\u201d que J\u00fania e Joaquim Maria Botelho escreveram, juntos, evocando a vida de sua m\u00e3e, o tempo dela, os escritos dela, as cartas que escreveu e recebeu, as trag\u00e9dias que viveu. Uma narrativa interessante onde os dados biogr\u00e1ficos se entremeiam a cr\u00edticas, cartas, not\u00edcias, confid\u00eancias e mem\u00f3rias da vida que viveram juntos.<br \/>\nRuth Guimar\u00e3es (1920-2014) \u00e9 uma escritora (propositalmente n\u00e3o estou usando o verbo no passado) do n\u00edvel de uma Lygia Fagundes Telles e de um Guimar\u00e3es Rosa. N\u00e3o estou exagerando e nem sou eu, apenas, a dizer isso. Foram os cr\u00edticos de literatura quando do lan\u00e7amento de \u201c\u00c1gua Funda\u201d, seu romance de estreia, em 1946. Na mesma \u00e9poca, Amadeu de Queiroz, o carimbamba (*) da Drogaria Baruel &#8211; onde se reuniam os escritores da \u00e9poca &#8211; comparou \u201c\u00c1gua Funda\u201d a \u201cMacuna\u00edma\u201d. Sem concordar plenamente com isso Ant\u00f4nio C\u00e2ndido escreveu no Di\u00e1rio de S\u00e3o Paulo, (18\/071946) longa cr\u00edtica em que examina os dois livros, elogiando muito a escritora. Foi tamb\u00e9m prefaciador no relan\u00e7amento do livro, mais de meio s\u00e9culo depois.<br \/>\nRespeitada, admirada, louvada Ruth Guimar\u00e3es! Por gente gabaritada, por leitores, escritores e por uma jovem rep\u00f3rter que come\u00e7ava na profiss\u00e3o &#8211; esta que vos fala &#8211; e que na d\u00e9cada de 50 escreveu carta a Ruth Guimar\u00e3es falando de sua admira\u00e7\u00e3o por ela. (E Ruth respondeu!)<br \/>\nS\u00f3 para uma r\u00e1pida ideia da amizade e do respeito que outros escritores tinham por essa companheira de letras, vejam a dedicat\u00f3ria que Guimar\u00e3es Rosa escreveu para Ruth: \u201c\u00c0 Ruth Guimar\u00e3es, parenta minha e uma das pessoas mais simp\u00e1ticas que encontrei na vida; e que escreve como uma fada escreveria &#8211; com o grato apre\u00e7o e a amizade de Guimar\u00e3es Rosa.\u201d<br \/>\nRuth foi a primeira escritora negra a ter proje\u00e7\u00e3o nacional.<br \/>\nE ent\u00e3o por quais motivos essa escritora fant\u00e1stica n\u00e3o \u00e9 conhecida e reconhecida como seus pares \u2013 Lygia, Rosa, M\u00e1rio de Andrade?<br \/>\nPor ser \u201cnegra, pobre e caipira\u201d, digo quase repetindo Ruth, num artigo em que falava da situa\u00e7\u00e3o do negro e dizia \u201cnegra, escritora, mulher e caipira. Eis a\u00ed minhas credenciais\u201d.<br \/>\nMas a mocinha descendente de portugueses, negros e \u00edndios \u2013 ess\u00eancia do povo brasileiro \u2013 sabia das dificuldades e foi \u00e0 luta. Tendo perdido os pais muito jovem, viveu com os av\u00f3s numa ch\u00e1cara em Cachoeira Paulista, no Vale do Para\u00edba, tomou conta dos irm\u00e3os memores e depois partiu para S\u00e3o Paulo, empreguinho modesto de sol a sol, mas a menina de 18 anos arranjava tempo para ler, escrever, ler mais, escrever muito e sempre. Casada com o primo Zizinho, o grande amor de sua vida, tiveram nove filhos e Ruth, j\u00e1 escritora, cuidava dos filhos, do marido que ficou tuberculoso, dos empregos e escrevia e escrevia e lia e escrevia mais.<br \/>\nProfessora, tradutora (de franc\u00eas, do italiano e do latim), folclorista, pesquisadora, jornalista (foi rep\u00f3rter de \u201cQuatro Rodas\u201d e da \u201cRevista da Semana\u201d), romancista, contista. Cursou Letras na USP assim que a vida lhe deu uma folga. Arranjou tempo para cursar a Escola de Arte Dram\u00e1tica \u00e0 noite. Foi eleita para a Academia Paulista de Letras, primeira mulher negra a integrar essa entidade. Com tudo isso ainda fazia horta na ch\u00e1cara, regava plantas, dava amor aos filhos e ao marido, o apaixonado Zizinho, fot\u00f3grafo que participou com ela de v\u00e1rias reportagens.<br \/>\nN\u00e3o era apenas escritora de v\u00e1rios livros. Ruth prezava a integridade, ensinava valores aos filhos, cultivava amigos e, como diz seu filho Joaquim, continuava \u201ccaipira orgulhosa de suas ra\u00edzes\u201d.<br \/>\nTalento imenso, muito amor, sucesso como escritora, admirada por todos, mas a vida n\u00e3o lhe foi sempre risonha e franca. Viu morrer sua primog\u00eanita. Dos seus nove filhos, tr\u00eas eram excepcionais e ela os viu partir, um a um. Cuidou do marido tuberculoso e foi o sustento da casa. Teve s\u00e9rios problemas de sa\u00fade e ficou internada durante meses. A cada trag\u00e9dia ela se erguia novamente e ent\u00e3o era a volta ao trabalho, \u00e0s tradu\u00e7\u00f5es, \u00e0s leituras, \u00e0 escrita.<br \/>\n\u201cMinha arma \u00e9 minha m\u00e1quina de escrever\u201d, disse, um dia. Mulher poderosa, armada para o bem.<br \/>\nComo gostei desse livro em que J\u00fania e Joaquim falam da m\u00e3e escritora.<br \/>\nE que escritora!<br \/>\nQuem ainda n\u00e3o conhece Ruth Guimar\u00e3es deve correr atr\u00e1s dos livros dela. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel apreciar literatura e n\u00e3o conhecer Ruth Guimar\u00e3es.<br \/>\n(*) Carimbamba \u00e9 como se autodenominava o dono da Gurgel, por n\u00e3o ser formado em farm\u00e1cia. Significado: curandeiro.<\/p>\n<p>Regina Helena Paiva Ramos<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Acabo de ler \u201cMem\u00f3rias da Casa Velha \u2013 Biografia e legado de Ruth Guimar\u00e3es\u201d que J\u00fania e Joaquim Maria Botelho escreveram, juntos, evocando a vida de sua m\u00e3e, o tempo dela, os escritos dela, as cartas que escreveu e recebeu, as trag\u00e9dias que viveu. Uma narrativa interessante onde os dados biogr\u00e1ficos se entremeiam a cr\u00edticas, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1988,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":{"0":"post-1987","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","6":"hentry","7":"category-noticias","9":"post-with-thumbnail","10":"post-with-thumbnail-none"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/institutoruthguimaraes.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1987","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/institutoruthguimaraes.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/institutoruthguimaraes.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutoruthguimaraes.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutoruthguimaraes.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1987"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/institutoruthguimaraes.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1987\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1990,"href":"https:\/\/institutoruthguimaraes.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1987\/revisions\/1990"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutoruthguimaraes.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1988"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/institutoruthguimaraes.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1987"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutoruthguimaraes.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1987"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutoruthguimaraes.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1987"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}