{"id":2111,"date":"2023-04-24T16:01:46","date_gmt":"2023-04-24T19:01:46","guid":{"rendered":"http:\/\/institutoruthguimaraes.org.br\/site\/?p=2111"},"modified":"2023-04-24T16:13:44","modified_gmt":"2023-04-24T19:13:44","slug":"ruth-guimaraes-nao-e-facil-ser-mulata","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutoruthguimaraes.org.br\/site\/ruth-guimaraes-nao-e-facil-ser-mulata\/","title":{"rendered":"Ruth Guimar\u00e3es: \u201cN\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil ser mulata\u201d*"},"content":{"rendered":"<p><strong>Por\u00a0<\/strong><strong>\u00canio Jos\u00e9 da Costa Brito[1]<\/strong><\/p>\n<p><strong>Resumo<\/strong>:A comunica\u00e7\u00e3o aponta alguns princ\u00edpios b\u00e1sicos da Teoria P\u00f3s-colonial referente \u00e0 Literatura, ilustrando com a apresenta\u00e7\u00e3o da obra de uma intelectual negra no circuito cultural branco do Estado de S\u00e3o Paulo. Ruth Guimar\u00e3es, professora, romancista, ensa\u00edsta, pesquisadora de tradi\u00e7\u00f5es populares, tradutora que sempre deu voz e vez as tradi\u00e7\u00f5es populares, tem sua obra muito pouco estudada. Sua obra liter\u00e1ria dialoga com o universo art\u00edstico-cultural brasileiro-popular ou erudito- e, inscreve-se no contexto liter\u00e1rio como signo de identidade local e nacional. O esquecimento da contribui\u00e7\u00e3o de escritoras negras tem conseq\u00fc\u00eancias hist\u00f3ricas e sociais, pois, contribui para a desqualifica\u00e7\u00e3o s\u00f3cio-racial dos afro-brasileiros e fomenta tend\u00eancias racistas.<\/p>\n<p><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Meu envolvimento, com a Teoria P\u00f3s-Colonial,come\u00e7ou quando passei a estudar quest\u00f5es relativas \u00e0 di\u00e1spora africana. A nega\u00e7\u00e3o, o n\u00e3o reconhecimento da contribui\u00e7\u00e3o dada pelos escravizados na constru\u00e7\u00e3o das na\u00e7\u00f5es americanas, em especial do Brasil, me incomodava.<\/p>\n<p>Hoje, tendo aprofundado a compreens\u00e3o das propostas te\u00f3ricas e pr\u00e1ticas da Teoria P\u00f3s-Colonial e ampliado minha vis\u00e3o da longa experi\u00eancia diasp\u00f3rica, partilho a convic\u00e7\u00e3o adquirida acerca da potencialidade epistemol\u00f3gica presente na Teoria P\u00f3s-Colonial com mestrandos e doutorandos em Ci\u00eancias da Religi\u00e3o da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de S\u00e3o Paulo. Sua utiliza\u00e7\u00e3o na an\u00e1lise do passado e do presente tem contribu\u00eddo para desvelar a real contribui\u00e7\u00e3o dada pelas culturas africanas \u00e0 nossa vis\u00e3o de mundo.<\/p>\n<p>No primeiro semestre deste ano, nossa aten\u00e7\u00e3o voltou-se para a literatura dos povos que passaram pela experi\u00eancia colonizadora, o que possibilitou reflex\u00f5es e discuss\u00f5es\u00a0 acaloradas. Relembro algumas quest\u00f5es: \u00e9 poss\u00edvel o surgimento de literaturas desvinculadas do padr\u00e3o euroc\u00eantrico? Quais os caminhos para uma literatura e estudos p\u00f3s-coloniais aut\u00f4nomos? Como o sujeito p\u00f3s-colonial visualizado na literatura pode superar o mutismo e assim narrar e anunciar as suas experi\u00eancias como o Outro?<\/p>\n<p>Em meio a estas e outras discuss\u00f5es, recebi a\u00a0<em>Revista \u00c2ngulo-Cadernos do Centro Cultural Teresa D\u2019\u00c1vila<strong>[2]<\/strong><\/em>, um n\u00famero monogr\u00e1fico, todo ele dedicado a\u00a0 escritora.Ruth Guimar\u00e3es. Ao l\u00ea-lo, percebi quanto os textos iluminavam as discuss\u00f5es que v\u00ednhamos realizando. A revista resgata a vida e a obra de Ruth Guimar\u00e3es, que uma mentalidade colonial, ainda presente entre n\u00f3s, acabou relegando ao esquecimento e ao sil\u00eancio.<\/p>\n<p>Nossa inten\u00e7\u00e3o nesta comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 num primeiro momento relembrar a vida e obra da autora e em seguida olhar sua obra \u00e0 luz da Teoria P\u00f3s-Colonial.<\/p>\n<p><strong>Do vale do Para\u00edba a paulic\u00e9ia desvairada.<\/strong><\/p>\n<div id=\"attachment_97\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-97\" class=\"wp-image-97 size-medium\" title=\"Ruth Guimar\u00e3es\" src=\"https:\/\/institutoruthguimaraes.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/ruth3-300x247.jpeg\" alt=\"Ruth Guimar\u00e3es\" width=\"300\" height=\"247\" srcset=\"https:\/\/institutoruthguimaraes.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/ruth3-300x247.jpeg 300w, https:\/\/institutoruthguimaraes.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/ruth3-768x633.jpeg 768w, https:\/\/institutoruthguimaraes.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/ruth3.jpeg 960w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><p id=\"caption-attachment-97\" class=\"wp-caption-text\">Ruth Guimar\u00e3es<\/p><\/div>\n<p>Aos 13 de junho de 1920, Ruth Guimar\u00e3es nasceu em Cachoeira Paulista, no vale do Paraiba. Muito cedo, perdeu os pais, o pai aos 12 anos e a m\u00e3e os 16, morou com os av\u00f3s desde os 8\u00a0 ou 9 anos de idade.<\/p>\n<p>Numa de suas cr\u00f4nicas, intitulada\u00a0<em>Entardeceres<\/em>, escreveu: \u201cFiquei \u00f3rf\u00e3 de pai e m\u00e3e muito cedo e fui acolhiada por meus av\u00f3s maternos, j\u00e1 bem idosos, pois minha m\u00e3e era a ca\u00e7ula de onze filhos. Minha av\u00f3 era uma curiboca, mesti\u00e7a de preto, indio e portugu\u00eas\u2026meu av\u00f4 portugu\u00eas\u201d(GUIMAR\u00c3ES,2014, p.32).<\/p>\n<p>Em outra cr\u00f4nica, escrita aos noventa anos, intitulada\u00a0<em>Anoitecer<\/em>, relembra:<\/p>\n<p>eu vivia na e com a velhice, sem estranh\u00e1-la porque a meninice se adapta facilmente.Os meus dois velhos, \u00e0 medida que a vida continuava eles a iam perdendo\u2026Quando eles precisaram realmente de mim, eu n\u00e3o estava mais em casa tinha saido para trabalhar na capital (GUIMAR\u00c3ES. 2014, p.34)[3].<\/p>\n<p>Aos 17 anos mudou-se para S\u00e3o Paulo, com seus quatro irm\u00e3os menores, onde trabalhou e estudou, com muitos sacrif\u00edcios, \u00e9 verdade. Costumava dizer que em S\u00e3o Paulo \u201cficou excepcionalmente trabalheira\u201d. Formou-se em Letras pela USP.<\/p>\n<p>Sua saga liter\u00e1ria come\u00e7ou com um ato de coragem, levando uns escritos seus ao romancista Cid Franca, que a apresentou ao critico liter\u00e1rio Edgar Cavalheiro, que\u00a0 publicou algumas de suas poesias no antigo\u00a0<em>O Roteiro.<\/em>\u00a0Quando uma de suas poesias foi publicada, Ruth Guimar\u00e3es entrou em profunda crise existencial e parou por um bom tempo de escrever. Voltou a escrever bem mais tarde, nas suas palavras: \u201cDepois de dois anos, uma bela tarde, sem mais nem menos, escrevi uma p\u00e1gina inteira. Amassei e joguei no lixo. Meia hora depois estava de joelho diante do cesto de pap\u00e9is procurando a folha. Achei-a,\u00a0 \u00a0continuei e saiu \u201c\u2019\u00c1gua Funda\u201d(GUIMAR\u00c3ES. 2014, p.11)<a href=\"https:\/\/cecafropuc.wordpress.com\/2016\/03\/02\/ruth-guimaraes-nao-e-facil-ser-mulata\/#_ftn4\" name=\"_ftnref4\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[4]<\/a>.<\/p>\n<p>Casou-se com seu primo Jos\u00e9, que faleceu em 2001, na ch\u00e1cara da fam\u00edlia em Cachoeira Paulista. Constitu\u00edram uma fam\u00edlia numerosa, que viveu em continuo sobressalto, pois, os filhos vieram ao mundo com doen\u00e7as raras, com excess\u00e3o do quarto \u00a0Joaquim Botelho Maria. Dos nove filhos, tr\u00eas eram portadores da sindrome de Alport, os outros tamb\u00e9m apresentaram problemas de sa\u00fade.Sem descuidar da familia, \u201cRuth conseguiu publicar mais de 50 livros, de contos, pesquisas folcloricas, tradu\u00e7\u00f5es do frances e do latim e pe\u00e7as de teatro\u201d (BOTELHO, 2014,p.29).<\/p>\n<p>Bem mais tarde cursou Dramaturgia e Critica na Alfredo Mesquista. Por 35 anos, ensinou l\u00edngua portuguesa em col\u00e9gios estaduais. Ao se aposentar voltou para a ch\u00e1cara da fam\u00edlia em Cachoeira Paulista. Aos 88 anos encontrava-se \u00e0 frente da Secretaria de Cultura de sua cidade e ainda dirigia a Museu de Folclore Valdomiro Silveira. Assumiu a cadeira 22 da Academia Paulista de Letras, em 18 de setembro de 2008(Cf. BOTELHO, 2014, p.29).<\/p>\n<p><strong>Projeto liter\u00e1rio.<\/strong><\/p>\n<p>Botelho extrai de uma das cr\u00f4nicas de sua m\u00e3e a op\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria dela:<\/p>\n<p>Ah! Eu conto hist\u00f3rias para quem nada exige, e para quem nada tem. Para aqueles\u00a0que conhe\u00e7o: os ing\u00eanuos, os pobres, os ignaros, sem erudi\u00e7\u00e3o nem filosofias. Essa \u00e9 a \u00fanica humanidade dispon\u00edvel para mim. Quem me dera escrevesse com\u00a0suficiente profundeza, mas claramente e simplesmente, para\u00a0 ser entendida pelos simples\u00a0 e ser o porta voz de seus anseios\u201d(BOTELHO, 2014, p.7).<\/p>\n<p>Projeto liter\u00e1rio corajoso, na contra-m\u00e3o, vindo de quem vem, uma escritora negra que se debru\u00e7a sobre hist\u00f3rias presentes nas bordas, \u201chist\u00f3rias da ro\u00e7a, de gente da ro\u00e7a, do caipira\u201d. Sem negar suas ra\u00edzes, afirma claramente: \u201cN\u00f3s precisamos saber da raiz negra de onde viemos. A hist\u00f3ria negra est\u00e1 por fazer, a literatura negra est\u00e1 por fazer, a poesia negra est\u00e1 por fazer\u201d(GUIMAR\u00c3ES apud BOTELHO, 2014, p.7).<\/p>\n<p>Continuando sua fala no depoimento concedido ao Semin\u00e1rio Encontro de Gera\u00e7\u00f5es, promovido pelo Museu Afro-Brasil, em 2007, diz : \u201cEu n\u00e3o tenho paci\u00eancia. N\u00e3o sou uma criatura paciente, mas sou uma criatura alegre, gra\u00e7as aos meus ascendentes Negros \u201c( GUIMAR\u00c3ES\u00a0 apud BOTELHO, 2014, p.8).<\/p>\n<p>Ruth Guimar\u00e3es se define como uma mulher pobre, negra e caipira. O que certamente devia causar certa estranheza no seu meio. Para Ana Paula Cianni Oliveira que escreveu sua disserta\u00e7\u00e3o de mestrado sobre\u00a0<em>\u00c1gua Funda,\u201c<\/em>\u00a0Ruth Guimar\u00e3es sente-se ligada \u00e0 voz feminina, \u00e0 dos marginalizados,aos ecos de uma \u00e9tnia historicamente oprimida e finalmente, \u00e0 voz caipira\u201d, ( OLIVEIRA apud BOTELHO, 2014,p.7). O que leva Oliveira a afirmar na conclus\u00e3o de sua pesquisa:<\/p>\n<p>O romance de estreia de Ruth Guimar\u00e3es est\u00e1 inserido e dialoga com o projeto est\u00e9tico modernista, recuperando discursivamente singularidades do espa\u00e7o regional representado ficcionalmente. Partindo do principio de que a cultura \u00e9, como afirma Laraia (2009), a lente atrav\u00e9s da qual os homens concebem o universo,\u00a0<em>\u00c1gua Funda<\/em>\u00a0revela parte dessa lente, pormenorizando o universo rural caipira, ao evidenciar posicionamentos axiol\u00f3gicos ou modos como esse grupo concebe o mundo, o homem, a natureza, as rela\u00e7\u00f5es humanas, etc, a\u00a0<em>partir de uma\u00a0<\/em>focaliza\u00e7\u00e3o especifica (OLIVEIRA, 2014, p.20).<\/p>\n<p>Numa entrevista, publicada no jornal\u00a0<em>O Escritor<\/em>\u00a0da UNB- Uni\u00e3o Brasileira de Escritores, Ruth Guimar\u00e3es se apresenta como uma escritora regionalista que vive e busca \u201ctransmitir com fidelidade e apuro linguistico a maneira de pensar e de viver do homen do povo\u201d(GUIMAR\u00c3ES apud O ESCRITOR, 2014, p.107).\u00a0 Nesta mesma entrevista, ao comentar a obra Guimar\u00e3es Rosa, que a admirava, prova deste afeto s\u00e3o os livros\u00a0<em>Sagarana\u00a0<\/em>e\u00a0<em>Grande Sert\u00e3o: Veredas<\/em>, autografados e dados por ele a Ruth Guimar\u00e3es, ela afirma\u00a0 que: \u00a0Sagarana \u00e9 a grande obra de Guimar\u00e3es Rosa, pois ele viveu \u201cficou subjugado por aquela for\u00e7a que vinha da terra\u00a0 e das pessoas da terra\u201d( GUIMAR\u00c3ES apud O ESCRITOR, 2014, p.108).<\/p>\n<p>Ela se queixa do fato de se poder contar nos dedos os escritores regionalistas.Na atualidade \u201ca literatura regionalista se caracteriza pelo seu ritmo brasileiro, por retratar uma somat\u00f3ria de cultura, cultura da cidade pequena, cultura da fazenda\u201d(GUIMAR\u00c3ES, 2014, p.107). Pergunta ent\u00e3o: \u201cOnde est\u00e1 ela? Onde podemos busc\u00e1-la? Qual \u00e9 o escritor que traz isto pra gente? (GUIMAR\u00c3ES apud O ESCRITOR, 2014,p.108).\u00a0 Na sua vis\u00e3o,<\/p>\n<p>O escritor [regionalista] precisa ser uma pessoa do povo, que vive o que o povo vive, e que tenha burilado sua linguagem a ponto de ser capaz de transmitir com fidelidade e apuro ling\u00fc\u00edstico a maneira de pensar e viver do homem do povo. Eu sou caipira. Eu vivi a cultura da cidade pequena, e contei uma hist\u00f3ria (no romance\u00a0<em>\u00c1gua Funda,\u00a0<\/em>de 1946) que respeita o pensamento e a linguagem caipira. E n\u00e3o s\u00f3 isso, mas respeitando a maneira do caipira de contar uma hist\u00f3ria,a sua maneira de p\u00f4r a linguagem( GUIMAR\u00c3ES apud O ESCRITOR, 2014, p. 107-108)<\/p>\n<p>Entre suas obras podemos enumerar:\u00a0<em>Filhos do medo<strong>[5]<\/strong>,<\/em>\u00a0texto no qual volta-se para a figura do diabo e suas manifesta\u00e7\u00f5es que povoam a imagin\u00e1rio das pessoas no Vale do Para\u00edba. Escreveu, ainda,<em>\u00a0Lendas e F\u00e1bulas do Brasil, Hist\u00f3ria de On\u00e7a, Hist\u00f3rias de Jabuti e Calidosc\u00f3pio- a saga de Pedro Malazarte<\/em>\u00a0entre\u00a0<em>outros<strong>[6]<\/strong><\/em>. Tradutora de in\u00fameros textos cl\u00e1ssicos franceses, como<em>\u00a0Historias Fascinantes<\/em>, de Honor\u00e9 de Balzac,<em>\u00a0Hist\u00f3ria de Alphose Daudet, Os mais brilhantes contos de\u00a0<\/em>Dostoiwski[7]<em>.<\/em>\u00a0Do latim traduziu de Lucio Apuleo,<em>\u00a0O Asno de Ouro<strong>[8]<\/strong><\/em>. Autora, tamb\u00e9m, de um\u00a0<em>Dicion\u00e1rio de Mitologia Grega,\u00a0<\/em>por sinal muito bem aceito pelos estudiosos[9]. Nestas tradu\u00e7\u00f5es, em geral, as notas e as introdu\u00e7\u00f5es eram de Ruth Guimar\u00e3es.<\/p>\n<p>Para caracterizar Ruth Guimar\u00e3es, romancista, ensaista e pesquisadora das tradi\u00e7\u00f5es populares, tomo emprestado uma express\u00e3o de Eduard Glissant, \u201cRuth Guimar\u00e3es \u00e9 uma escritora risom\u00e1tica\u201d[10].<\/p>\n<p><strong>Refazendo o percurso: o projeto P\u00f3s-colonial<\/strong><\/p>\n<p>Abordagens post-colonial ou post-colonialidade vem questionando estudiosos nas \u00e1reas das ci\u00eancias humanas, onde v\u00e1rias vertentes tem questionado a expans\u00e3o e a hegemonia da episteme ocidental, questionando balizas de estudos hist\u00f3ricos e liter\u00e1rios eurocentrados desde a d\u00e9cada de 1980<a href=\"https:\/\/cecafropuc.wordpress.com\/2016\/03\/02\/ruth-guimaraes-nao-e-facil-ser-mulata\/#_ftn11\" name=\"_ftnref11\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[11]<\/a>.<\/p>\n<p>J\u00e1 na d\u00e9cada de 1970, os estudos culturais brit\u00e2nicos traziam cr\u00edticas pesadas, advogando uma \u201cindisciplina acad\u00eamica\u201d, dando inicio a constru\u00e7\u00e3o de perspectivas te\u00f3rico-metodologica em torno da cultura ou diferen\u00e7a colonial, percebida como modos de transgress\u00e3o, de viver e pensar, organicamente a v ida material e espiritual.<\/p>\n<p>Na vis\u00e3o de Stuart Hall[12], essas lutas culturais nutriram-se da \u201cviragem linguistica\u201d, com estudos que priorizavam as linguagens simb\u00f3licas, metaf\u00f3ricas, seguida de uma \u201cviragem te\u00f3rica\u201d, que questiona profundamente a hegemonia do Ocidente nas mais diversas dimens\u00f5es social, pol\u00edtica, cultural e religiosa.<\/p>\n<p>Intelectuais do terceiro mundo com suas pesquisas e reflex\u00f5es priorizavam a diferen\u00e7a e a alteridade, resgatando mem\u00f3rias, hist\u00f3rias sobre a \u201cheran\u00e7a colonial\u201de a \u201cfratura social\u201d.<\/p>\n<p>Os estudos subalternos da India, do coletivo modernidade\/colonialidade do Caribe e da Am\u00e9rica Latina refor\u00e7am a din\u00e2mica critica iniciada pelos estudos culturais. Estes questionamentos, na express\u00e3o de Antonacci,\u00a0voltaram aten\u00e7\u00f5es \u00e0 expans\u00e3o colonial desde o cora\u00e7\u00e3o de disciplinas\u00a0conformadoras da modernidade ocidental: filosofia,\u00a0 hist\u00f3ria e literatura.\u00a0 \u00c1reas que marcam a cultura do Ocidente e est\u00e3o atravessadas por um passado racista e colonialista, o qual, longe de haver sido superado, recria-se na cultura contempor\u00e2nea, com racismos culturais e a \u201cviol\u00eancia epist\u00eamica\u201d.( ANTONACCI, 2015, p. 2).<\/p>\n<p>Na Am\u00e9rica Latina, a colonialidade, isto \u00e9, a perman\u00eancia da mentalidade colonial ap\u00f3s o termino do colonialismo, vem sendo trabalhada diuturnamente por intelectuais como Enrique Dussel, Anibal Quijano, Santigo Castro-Gomes, Catherine Wash,Walter Mignolo, Nelson Maldonado-Torres,Arthurp Escobar e Ram\u00f3n Grosfoguel.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Para estes autores, colonialidade se apresenta como a face perversa da modernidade. Entre os textos inspiradores desses estudos, encontramos os de Aim\u00e9 Cesaire,\u00a0<em>Discurso sobre o colonialismo (1955)<\/em>\u00a0e Frantz Fanon,\u00a0<em>Pele negra, m\u00e1scaras brancas\u00a0<\/em>(1952) e\u00a0<em>Os condenados da Terra\u00a0<\/em>(1961)[13]. Para Antonacci, estes autores,<\/p>\n<p>Sem deterem-se na cr\u00edtica \u00e0 modernidade\/colonialidade, ultrapassam seu pretenso universalismo na escuta\/visualidadedo que designam\u00a0<em>diferen\u00e7a colonial, desde emerg\u00eancia de \u201csubjetividades\u201d\u00a0<\/em>com que foram vividas a conquista e a coloniza\u00e7\u00e3o das Am\u00e9ricas, o tr\u00e1fico negreiro, o escravismo, a colonialidade de seres, saberes e poderes. Em aten\u00e7\u00e3o cr\u00edtica a transgress\u00f5es culturais, em abertura a\u00a0<em>pensamentos de rastro\/residuos(Glissant) ou pensamento fronteiri\u00e7o<\/em>, em \u201cdupla cr\u00edtica\u201da bases epistemol\u00f3gicas Ocidentais e percal\u00e7os a pensares locais, investem em outras estruturas cognitivas e viveres que ultrapassam subalternidadesvigentes (ANTONACCI,2015, p.3).<\/p>\n<p>Gradualmente, uma outra geografia da raz\u00e3o vem sendo constru\u00edda, vizibilizada num projeto epistemico-politico e \u00e9tico. A obra de Ruth Guimar\u00e3es traz no seu bojo sementes de uma din\u00e2mica p\u00f3s-colonial.<\/p>\n<p><strong>A obra de Ruth Guimar\u00e3es \u00e0 luz da Teoria P\u00f3s-colonial<\/strong><\/p>\n<p>Quando se olha por dentro da literatura dos povos marcados pelo colonialismo constata-se a for\u00e7a das estrat\u00e9gias colonizadoras que impuseram seu canone liter\u00e1rio, imposi\u00e7\u00e3o que passa pelo desprezo de qualquer express\u00e3o cultural ind\u00edgena, afro-brasileira ou popular.<\/p>\n<p>No Brasil, ainda est\u00e1 por surgir uma literatura desvinculada do padr\u00e3o eurocentrico, questionadora de pressupostos do padr\u00e3o eurocentrista. Na verdade, pouca descoloniza\u00e7\u00e3o ocorreu no \u00e2mbito liter\u00e1rio. O satus can\u00f4nico das literaturas europeias deitou raizes profundas no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Examinando com aten\u00e7\u00e3o a obra de Ruth Guimar\u00e3es pode-se constatar a presen\u00e7a seminal de uma\u00a0<strong>din\u00e2mica descolonial<\/strong>, expressa no di\u00e1logo sempre negado pela coloniza\u00e7\u00e3o com a cultura perif\u00e9rica. Antonio Candido no pref\u00e1cio \u00e0 segunda edi\u00e7\u00e3o de\u00a0<em>\u00c1gua Funda<\/em>\u00a0escreve: \u201c\u00e9 bom insistir no fato de Ruth Guimar\u00e3es ser n\u00e3o apenas uma escritora bem dotada para a fic\u00e7\u00e3o, mas uma autoridade nos estudos da cultura popular, cultura que em \u00c1gua Funda constitui verdadeira rede de sustenta\u00e7\u00e3o \u201c(CANDIDO, 2014,p. 18). Di\u00e1logo que insere\u00a0<em>\u00c1gua Funda<\/em>\u00a0no contexto da literatura brasileira como representante de uma identidade local e regional.<\/p>\n<p>Ruth Guimar\u00e3es em\u00a0<em>\u00c1gua Funda\u00a0<\/em>concebe como nos diz Oliveira:<\/p>\n<p>Um universo historicamente constituido, \u00c1gua Funda promove, por meio de uma institui\u00e7\u00e3o discursiva, a elucida\u00e7\u00e3o da identidade do homem rural valeparaibano, revelando amplamente o modo de ser, de viver, de pensar e de falar dessa comunicade ficcional, o que refor\u00e7a as rela\u00e7\u00f5es entre literatura e sociedade, como apontado por Antonio Candido ( OLIVEIRA, 2014, p.20).<\/p>\n<p>Portanto, estamos diante de uma perspectiva marcadamente descolonial.\u00a0 O di\u00e1logo com a cultura local, com a inten\u00e7\u00e3o de captar a identidade cultural do caipira enuncia outra geografia da raz\u00e3o ao partir do corpo-politico local. Ela procura descobrir as raizes da condi\u00e7\u00e3o humana no dia-a-dia da gente mais simples.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Paulo Paes, ao apresentar aos leitores de\u00a0<em>O Estado de S\u00e3o Paulo<\/em>, em 15 de setembro de 1996, o livro\u00a0<em>Contos de cidadezinha<a href=\"https:\/\/cecafropuc.wordpress.com\/2016\/03\/02\/ruth-guimaraes-nao-e-facil-ser-mulata\/#_ftn14\" name=\"_ftnref14\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>[14]<\/strong><\/a><\/em>, aponta o gosto coloquial e a capacidade de Ruth Guimar\u00e3es de,<\/p>\n<p>Descobrir, no dia-a-dia da gente mais simples, as ra\u00edzes da condi\u00e7\u00e3o humana.<\/p>\n<p>Descoberta a que acedemos por via de uma escrita intensa, que se vale da dialoga\u00e7\u00e3o captada por assim dizer ao vivo e do discurso indireto empaticamente sintonizado com a interioridade dos protagonistas para, em poucos tra\u00e7os, p\u00f4r-nos diante dos olhos do esp\u00edrito a humanidade de cada um.(PAES, 2014, p.64).<\/p>\n<p>Subjetividade sempre negada pelos processos colonizadores e que Ruth Guimar\u00e3es cuidou sempre de preservar e dar a conhecer na sua produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria. Op\u00e7\u00e3o confirmada uma vez mais no pref\u00e1cio, que escreveu para\u00a0<em>Lendas e F\u00e1bula do Brasil<\/em>, quando apresenta os crit\u00e9rios para selecionar os contos:<\/p>\n<p>Esse ser\u00e1 o primeiro crit\u00e9rio: a coisa comprovadamente nossa. E, para que se possa responder pela pureza da colheita, mister foi busc\u00e1-la no meio rural, nas cidades pequenas, entre gente analfabeta, que jamais leu um livro, que jamais ouviu falar de livro a n\u00e3o ser da Sagrada Escritura e de S\u00e3o Cipriano (Guimar\u00e3es, 2014, p.82).<\/p>\n<p>Neste livro, nas suas cem p\u00e1ginas, relata para os leitores, causos de mutir\u00e3o, de acochar fumo, de pessegada e goiabada, de noites de S\u00e3o Jo\u00e3o e S\u00e3o Pedro e causos de quentar-fogo-de-noite-na-rua-de-Baixo. A escolha dos causos deixa transparecer a sensibilidade da pesquisadora por um lado, por outro a sua deliberada inten\u00e7\u00e3o de acolher toda a sabedoria e vis\u00e3o de mundo, presente nos causos.<\/p>\n<p>Ivan Vilela, estudioso da cultura popular e da m\u00fasica, nos lembra que:<\/p>\n<p>o caipira e seu saber tornaram-se perif\u00e9ricos nos modos de produ\u00e7\u00e3o urbana-industrial. O olhar perif\u00e9rico atribuido ao caipira se transferiu a seus atributos. Sua produ\u00e7\u00e3o cultural foi tratada durantes d\u00e9cadas como algo imperfeito, simples demais (VILELA,2015, p.74).<\/p>\n<p>Ruth Guimar\u00e3es, como Ivan Vilela, via na d\u00e9cada de 1940 o caipira como algu\u00e9m que resistia tenazmente uma onda de desenraizamento, que atingia a popula\u00e7\u00e3o brasileira do interior e das pequenas cidades.<\/p>\n<p>Ela costumava definir-se como mulher, pobre, negra e caipira. Heloneide Studart, ao entrevist\u00e1-la\u00a0 para a revista\u00a0<em>Manchete<\/em>\u00a0, em 1982, entre outras coisas perguntou:<\/p>\n<p>-Manchete-H\u00e1 uma pergunta que lhe quero fazer, pois acho voc\u00ea a \u00a0pessoa\u00a0apropriada para respond\u00ea-la. Em nosso pais louva-se muito a mulata, a mulata \u00e9 a\u00a0tal, h\u00e1 versos e sambas cantando a mesti\u00e7a. Isso n\u00e3o ser\u00e1 mais uma conota\u00e7\u00e3o depreciativa, reduzindo a bela mulher escura a um papel simplesmene sexual? N\u00e3o ser\u00e1 uma reminisc\u00eancia da senzala que a negra estava a\u00ed para isso mesmo?<\/p>\n<p>-Ruth- Esse louvor gratuito \u00e0 mulata \u00e9 coisa do Rio, de Copacabana, divertimento de intelectuais. A realidade \u00e9 outra.Em qualquer ponto do pa\u00eds, a mulata \u00e9 v\u00edtima do sistema duas vezes: como mulher e como negra. \u00c9 comum que ela procure sair do seu dilema atrav\u00e9s do casamento- dif\u00edcil- ou atrav\u00e9s de solu\u00e7\u00f5es f\u00e1ceis e tristes\u00a0(STUDART,2014, p.49)<\/p>\n<p>Na sua resposta, aponta para a presen\u00e7a do racismo na sociedade brasileira, ela tem consci\u00eancia do quanto o racismo est\u00e1 entranhado no solo p\u00e1trio. Ao longo da entrevista deixa claro que um dos caminhos para super\u00e1-lo \u00e9 a o da educa\u00e7\u00e3o. \u201c\u00c9 um problema de educa\u00e7\u00e3o\u201d. Educa\u00e7\u00e3o abra\u00e7ada por ela como m\u00e3e, escritora e professora.<\/p>\n<p>Ruth Guimar\u00e3es sabe como \u00e9 importante preservar a tradi\u00e7\u00e3o e a mem\u00f3ria do povo, mem\u00f3ria esta conservada nas falas e nos corpos. As tradi\u00e7\u00f5es caipiras s\u00e3o cantadas, dan\u00e7adas, declamadas e principalmente vividas. O direito \u00e0 mem\u00f3ria e ao legado do patrim\u00f4nio cultural produzido por saberes silenciados, sempre esteve presente em tudo que realizou ao longo da vida. No contato com o povo, levou adiante esta luta chamando aten\u00e7\u00e3o para vida caipira, desvelando outro mundo, outras formas de sentir, ser, viver, fazer, realizar e construir.<\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Conclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Ao adotar como locus de enuncia\u00e7\u00e3o o espa\u00e7o regional do vale paraibano e ocupar-se em perceber lendas, prov\u00e9rbios, ditados, h\u00e1bitos, cren\u00e7as, mito, linguagem, met\u00e1foras ligadas ao cotidiano, Ruth Guimar\u00e3es resgata tra\u00e7os da identidade caipira, revelando o modo de ser, de viver e de pensar de homens e mulheres do povo. Na contra-m\u00e3o do \u201c preconceito lingu\u00edstico como instrumento de domina\u00e7\u00e3o,[que] no caso dos caipiras, aliou-se \u00e0 deprecia\u00e7\u00e3o s\u00f3cio-hist\u00f3rica advinda das mudan\u00e7as ocorridas em S\u00e3o Paulo no s\u00e9culo XIX\u00a0 e posteriormente no \u00eaxodo rural\u201d(VILELA, 2013,\u00a0 p.84).<\/p>\n<p>Sua produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria, se olhada no conjunto deixa transparecer a id\u00e9ia de \u201cinterpenetra\u00e7\u00e3o de civiliza\u00e7\u00f5es\u201d, ao mostrar como a popula\u00e7\u00e3o brasileira foi capaz de apropriar-se, incorporar e ressignificar saberes e fazeres dos colonizadores. Em\u00a0<em>Lendas e F\u00e1bulas do Brasil<\/em>, nos relembra a ancianeidade das est\u00f3rias, que \u201cvem de longe, mas adotadas e adaptadas s\u00e3o brasileiras, genu\u00ednas espont\u00e2neas\u201d(GUIMAR\u00c3ES, 2014, p.84).<\/p>\n<p>Ruth Guimar\u00e3es, ao reexaminar o problema da presen\u00e7a da cultura caipira em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 \u201ccultura brasileira\u201d, produz uma obra extremamente aberta, em que o riqu\u00edssimo material emp\u00edrico por ela coletado oferece subs\u00eddios para descolonizar o ensino\/aprendizagem de Hist\u00f3ria do Brasil<a href=\"https:\/\/cecafropuc.wordpress.com\/2016\/03\/02\/ruth-guimaraes-nao-e-facil-ser-mulata\/#_ftn15\" name=\"_ftnref15\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[15]<\/a>.<\/p>\n<p>Ao aprofundar na produ\u00e7\u00e3o critica de sua obra, percebe-se logo que para ela a literatura era uma experi\u00eancia de vida. Ela que nas suas obras deu voz e vez ao mundo marginalizado do homem e da mulher simples, tem muito a nos dizer nos dias de hoje.<\/p>\n<p>Finalizo com um dos seus versos,<\/p>\n<p>N\u00e3o oponhas ao meu grito<\/p>\n<p>O desd\u00e9m infinito dos astros impass\u00edveis.<\/p>\n<p>Quem entende o que escreveste com as estrelas?<\/p>\n<p>De bra\u00e7os abertos, na cruz.dos quatro caminhos,<\/p>\n<p>eu tamb\u00e9m sou uma cruz, tra\u00e7ada no ch\u00e3o duro<\/p>\n<p>com carv\u00e3o.<\/p>\n<p>Como se fosse a Tua sombra,<\/p>\n<p>estendida no ch\u00e3o.<\/p>\n<p>Esse gesto agoniado de abrir os bra\u00e7os<\/p>\n<p>para o infinito ou para o amor,<\/p>\n<p>gesto de cruz que \u00e9 Teu e meu<\/p>\n<p>nos aproxima, meu Senhor!<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/p>\n<p>ANTONACCI,M.A.Hist\u00f3ria e cultura em Estudos Post-Coloniais. Apostilha, 2015.<\/p>\n<p>BOTELHO, J.M.G. Ruth Guimar\u00e3es, da palavra franca, p. 6-8.<\/p>\n<p>\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014-. A miss\u00e3o de Ruth Guimar\u00e3es, p.28-29.<\/p>\n<p>GUIMAR\u00c3ES, R. Entardeceres, p.31-32.<\/p>\n<p>\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014.Anoitecer, p.33-34.<\/p>\n<p>\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014.Literatura Infantil. Pref\u00e1cio Lendas e F\u00e1bulas do Brasil, p.82-85.<\/p>\n<p>JORNAL DE S\u00c3O PAULO.\u00a0 De menina espeloteada e petulante \u00e0 romancista benquista pelo p\u00fablico e elogiada pela cr\u00edtica. Domingo, 22 de setembro de 1946, p.9-11.<\/p>\n<p>JORNAL O ESCRITOR. Ruth Guimar\u00e3es: leitura e brasilidade, p. 106-109.<\/p>\n<p>OLIVEIRA, A.P.M.C.de. Um mergulho em \u00c1gua Funda e suas distintas vertentes, p.19-22.<\/p>\n<p>PAES, J.P. Uma contista do interior revive sua fala, p.63-64.<\/p>\n<p>S\u00c1, O. de. A \u201cbruxa\u201d de Cachoeira Paulista, p.122-123.<\/p>\n<p>STUDART, H. entrevista com Ruth Guimar\u00e3es: \u201cN\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil ser mulata\u201d, p.47-49.<\/p>\n<p>VILELA,I.\u00a0<em>Cantando a pr\u00f3pria Hist\u00f3ria.<\/em>\u00a0M\u00fasica caipira e enraizamento. S\u00e3o Paulo: Edusp,2013.<\/p>\n<p>*Comunica\u00e7\u00e0o feita no 28 Congresso Internacional da SOTER- Religi\u00e3o e Espa\u00e7o P\u00fablico: cen\u00e1rios contempor\u00e2neos-2015.\u00a0 Nos Anais do Congresso encontra-se\u00a0 uma vers\u00e3o reduzida desta Comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>[1] Professor Titular PUCSP, Programa de P\u00f3s Gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias da Religi\u00e3o. E-mail brbrito@uol.com.br<\/p>\n<p>[2]\u00a0O Centro est\u00e1 localizado em Lorena (SP). Agrade\u00e7o a amiga Olga de S\u00e9, escritora e educadora que me envia religiosamente a\u00a0<em>Revista \u00c2ngulo<\/em>. Todo material de pesquisa utilizado nesta comunica\u00e7\u00e3o foi extra\u00eddo do n\u00famero dedicado a Ruth Guimar\u00e3es. Nas Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas, indicaremos o nome do autor do artigo, o titulo e as p\u00e1ginas da Revista \u00c2ngulo 137, Abril- Junho de 2014.<\/p>\n<p>[3]\u00a0\u201c Entre 1963\u00a0 e 1968, convidada por Emir Macedo Nogueira, ent\u00e3o editor-chefe da Folha de S. Paulo, Ruth escreveu cr\u00f4nicas semanais, com Cec\u00edlia Meirelles, Pe.Vasconcelos e Carlos Heitor Cony\u2026 No total, foram\u00a0 quase 300 publica\u00e7\u00f5es, com o resgate de tipos populares, usos e costumes, flagrantes do cotidiano de v\u00e1rios lugares do Brasil\u201d (2014, p.95)<\/p>\n<p>[4]\u00a0GUIMAR\u00c3ES , Ruth.\u00a0<em>\u00c1gua funda.<\/em>Porto Alegre: Edi\u00e7\u00e3o da Livraria Globo, 1946.<\/p>\n<p>[5]\u00a0GUIMAR\u00c3ES,Ruth.\u00a0<em>Filhos do medo.<\/em>\u00a0Porto Alegre: Editora Globo, 1950.<\/p>\n<p>[6]\u00a0GUIMAR\u00c3ES, Ruth.\u00a0<em>Lendas e F\u00e1bulas do Brasil.<\/em>\u00a0S\u00e3o Paulo: Editora Cultrix, 1972;\u00a0<em>Hist\u00f3ria de On\u00e7a.<\/em>\u00a0S\u00e3o Bernardo do Campo: Usina de Id\u00e9ias, 2008;\u00a0<em>Hist\u00f3rias de Jabuti.<\/em>\u00a0S\u00e3o Bernardo do Campo: Usina de Id\u00e9ias, 2008;\u00a0<em>Calidosc\u00f3pio-<\/em>\u00a0a saga de Pedro Malazarte. S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos: JAC Editora, 2006.<\/p>\n<p>[7]\u00a0GUIMAR\u00c3ES, Ruth.\u00a0<em>Hist\u00f3rias Fascinantes<\/em>, de Honor\u00e9 de Balzac.( Sele\u00e7\u00e3o, tradu\u00e7\u00e3o e pref\u00e1cio). S\u00e3o Paulo:Editora Cultrix, 1960;\u00a0<em>Hist\u00f3ria de Alphose Daudet<\/em>\u00a0(Sele\u00e7\u00e3o, pref\u00e1cio). Tradu\u00e7\u00e3o de Ruth Guimar\u00e3es e Rolando Roque da Silva. S\u00e3o Paulo: Editora Cultrix, 1986;\u00a0<em>Os mais brilhantes contos de\u00a0<\/em>Dostoievski ( Introdu\u00e7\u00e3o, sele\u00e7\u00e3o e tradu\u00e7\u00e3o). Rio de Janeiro: Edi\u00e7\u00f5es\u00a0 Ouro, 1966<\/p>\n<p>[8]\u00a0GUIMAR\u00c3ES, Ruth.\u00a0<em>O asno de Ouro\u00a0<\/em>de Apuleo.\u00a0 Rio de Janeiro: Edi\u00e7\u00f5es Ouro.s\/d.<\/p>\n<p>[9]\u00a0GUIMAR\u00c3ES, Ruth.\u00a0<em>Dicion\u00e1rio de Mitologia Grega.<\/em>\u00a0S\u00e3o Paulo: Editora Cultrix, 1972.<\/p>\n<p>[10]\u00a0GLISSANT, \u00c9.\u00a0<em>Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 po\u00e9tica da diversidade.<\/em>\u00a0Juiz de Fora: EDUFJF,2005.<\/p>\n<p>[11]\u00a0A bibliografia \u00e9 ampla, apresento alguns textos de Walter Mignolo que tem contribu\u00eddo muito na constru\u00e7\u00e3o de uma epistemologia renovada. Cf. MIGNOLO, W. \u201cOs esplendores e as mis\u00e9rias da \u2018ci\u00eancia\u2019: colonialidade, geopol\u00edtica do conhecimento e pluri-versalidade epistemica. In: SANTOS, B. de S.\u00a0<em>Conhecimento prudente para uma vida decente.<\/em>\u00a0S\u00e3o Paulo; Cortez, 2005; \u201cA colonialidade de cabo a rabo\u201d. In: LANDER, E.(org.).<em>A colonialidade do saber: eurocentrismo e ci\u00eancias sociais.\u00a0<\/em>Buenos Aires: Clacso, 2005; \u201c El giro gnoseol\u00f3gico decolonial\u201d. In:C\u00c9SAIRE, A.(org.)\u00a0<em>Discurso sobre el colonialismo.<\/em>\u00a0Madrid: Akal Ediciones, 2006a; \u201cLa descolonizaci\u00f3n del ser y del saber\u201d. In: SCHIWY,F.; MALDONADO-TORRES,N.;MIGNOLO,W.<em>\u00a0Des-colonialidad del ser e del saber.<\/em>\u00a0Buenos Aires: Edicones del Signo, 2006b; \u201c El desprendimiento: prensamento critico y giro descolonial\u201d. In: SCHIWY,F.; MALDONADO-TORRES,N.;MIGNOLO,W.<em>\u00a0Des-colonialidad del ser e del saber.<\/em>\u00a0Buenos Aires: Ediciones del Signo, 2006c<\/p>\n<p>[12]\u00a0Cf. HALL, Stuart.\u00a0<em>Da Di\u00e1spora:<\/em>\u00a0identidades e media\u00e7\u00f5es culturais. Belo Horizonte: EDUFMG, 2003.<\/p>\n<p>[13]\u00a0 C\u00c9SAIRE, A.\u00a0<em>Discurso sobre o colonialismo.<\/em>\u00a0Porto: Editora Poveira,1971 [1955]; FANON, F.\u00a0<em>Pele negra, m\u00e1scaras brancas<\/em>. Salvador: Edulfa, 2008 [1952];\u00a0<em>Os condenados da Terra\u00a0<\/em>.Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira,1968 [1961].<\/p>\n<p>[14]\u00a0GUIMAR\u00c3ES, Ruth.\u00a0<em>Contos de cidadezinha.<\/em>\u00a0Lorena: Centro Cultural Teresa d\u2019 \u00c1vila,1996.<\/p>\n<p>[15]\u00a0Sua pesquisa oferece subs\u00eddios para dinamizar o potencial pedag\u00f3gico descolonial das Leis 10.639 e 11.645.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por\u00a0\u00canio Jos\u00e9 da Costa Brito[1] Resumo:A comunica\u00e7\u00e3o aponta alguns princ\u00edpios b\u00e1sicos da Teoria P\u00f3s-colonial referente \u00e0 Literatura, ilustrando com a apresenta\u00e7\u00e3o da obra de uma intelectual negra no circuito cultural branco do Estado de S\u00e3o Paulo. Ruth Guimar\u00e3es, professora, romancista, ensa\u00edsta, pesquisadora de tradi\u00e7\u00f5es populares, tradutora que sempre deu voz e vez as tradi\u00e7\u00f5es populares, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":97,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":{"0":"post-2111","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","6":"hentry","7":"category-noticias","9":"post-with-thumbnail","10":"post-with-thumbnail-none"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/institutoruthguimaraes.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2111","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/institutoruthguimaraes.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/institutoruthguimaraes.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutoruthguimaraes.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutoruthguimaraes.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2111"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/institutoruthguimaraes.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2111\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2115,"href":"https:\/\/institutoruthguimaraes.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2111\/revisions\/2115"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutoruthguimaraes.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/97"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/institutoruthguimaraes.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2111"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutoruthguimaraes.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2111"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutoruthguimaraes.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2111"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}