{"id":2683,"date":"2024-05-14T20:58:43","date_gmt":"2024-05-14T23:58:43","guid":{"rendered":"https:\/\/institutoruthguimaraes.org.br\/site\/?p=2683"},"modified":"2024-05-14T21:03:55","modified_gmt":"2024-05-15T00:03:55","slug":"representantes-do-instituto-ruth-guimaraes-na-mesa-redonda-com-escritores-do-vale-do-paraiba-nas-comemoracoes-para-o-aniversario-de-90-anos-da-usp","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutoruthguimaraes.org.br\/site\/representantes-do-instituto-ruth-guimaraes-na-mesa-redonda-com-escritores-do-vale-do-paraiba-nas-comemoracoes-para-o-aniversario-de-90-anos-da-usp\/","title":{"rendered":"Representantes do Instituto Ruth Guimar\u00e3es na mesa redonda com escritores do Vale do Para\u00edba nas comemora\u00e7\u00f5es para o anivers\u00e1rio de 90 anos da USP"},"content":{"rendered":"<h2>O que existe \u00e9 gente<\/h2>\n<h3>Ruth Guimar\u00e3es<\/h3>\n<div id=\"attachment_2684\" style=\"width: 730px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2684\" class=\"wp-image-2684 size-full\" title=\"Mesa redonda com escritores do Vale do Para\u00edba\" src=\"https:\/\/institutoruthguimaraes.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/instituto-ruth-guimaraes.jpeg\" alt=\"Mesa redonda com escritores do Vale do Para\u00edba\" width=\"720\" height=\"720\" srcset=\"https:\/\/institutoruthguimaraes.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/instituto-ruth-guimaraes.jpeg 720w, https:\/\/institutoruthguimaraes.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/instituto-ruth-guimaraes-300x300.jpeg 300w, https:\/\/institutoruthguimaraes.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/instituto-ruth-guimaraes-150x150.jpeg 150w, https:\/\/institutoruthguimaraes.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/instituto-ruth-guimaraes-75x75.jpeg 75w\" sizes=\"auto, (max-width: 720px) 100vw, 720px\" \/><p id=\"caption-attachment-2684\" class=\"wp-caption-text\">Mesa redonda com escritores do Vale do Para\u00edba<\/p><\/div>\n<p>Um dia desses \u2013 afinal de contas tudo aconteceu agorinha mesmo &#8211; andei falando sobre linguagem e escrituras. Falando sobre o escrever. Eu comecei a escrever porque tinha umas ideias a respeito da linguagem, sempre gostei muito de discutir a linguagem dos autores. Li grandes escritores, vi por exemplo que Lima Barreto tem muitas ideias, vai fundo em seus pensamentos, mas tem uma linguagem horr\u00edvel. N\u00e3o era uma linguagem horr\u00edvel, n\u00e3o. Era uma linguagem muito boa, mas sem aquele aval do escritor que sabe escrever. Jorge Amado&#8230; Jorge Amado comove as pessoas, tem uma linguagem bonita, d\u00e1 adjetiva\u00e7\u00e3o, \u00e9 um narrador muito bom, \u00e9 um descritivo tamb\u00e9m muito bom, mas n\u00e3o sabe escrever. Por isso prejudicou a perenidade dos livros dele.<br \/>\nExiste uma leviandade de se fazer o que n\u00e3o se sabe. E resolvi escrever sabendo o que eu estava fazendo, mesmo se eu n\u00e3o me tornasse um escritor, uma criatura de ideias, iria pelo menos fazer da l\u00edngua um verdadeiro instrumento de trabalho.<br \/>\nSe escolhemos ser lixeiros, que sejamos o lixeiro; se escolhemos ser ourives, que sejamos o ourives; e se escolhemos ser escritores, que sejamos o escritor.<br \/>\nPor isso cuidei da forma. Por isso entrei na USP, na se\u00e7\u00e3o de Letras Cl\u00e1ssicas, para aprender latim, grego e portugu\u00eas, tr\u00eas l\u00ednguas mortas. Minha l\u00edngua portuguesa. Preocupo-me com a linguagem, com a adequa\u00e7\u00e3o \u00e0 forma. Ser escritor \u00e9 mais do que escrever, apenas. Falo da literatura como of\u00edcio, n\u00e3o como desabafo, den\u00fancia, declara\u00e7\u00e3o de amor. \u00c9 preciso um comprometimento profissional com a literatura, com o apuro da forma, com a experimenta\u00e7\u00e3o da linguagem.<br \/>\nEu queria escrever como se falava, mas n\u00e3o escrever como se falava \u00e0 maneira do Guimar\u00e3es Rosa. Briguei muito com o Guimar\u00e3es Rosa, imagine que atrevimento! Mas eu dizia: \u201cGuima, voc\u00ea n\u00e3o tem direito de cunhar palavras, de criar palavras, a palavra s\u00f3 existe se tiver um povo que fale, a palavra \u00e9 povo. E voc\u00ea p\u00f5e a\u00ed, por exemplo, o mato aeiouava. Muito bonita a palavra, muito engra\u00e7ada tamb\u00e9m, mas n\u00e3o vale nada, quem vai falar essa palavra daqui pra frente? S\u00f3 voc\u00ea. Nos seus livros, daqui a n\u00e3o sei quantos anos, esta palavra que est\u00e1 aqui n\u00e3o existe\u201d.<br \/>\nPalavra que n\u00e3o \u00e9 de povo \u00e9 palavra morta. L\u00edngua universal \u00e9 ter um monte de gente usando. O ingl\u00eas \u00e9 universal. Usar o esperanto &#8211; ah! O que \u00e9 isso? N\u00e3o tem povo que fale, n\u00e3o existe. O que existe \u00e9 gente. \u00c9 este ent\u00e3o o meu sentido, a dire\u00e7\u00e3o da minha escrita. Quando eu escrevi, eu quis escrever numa linguagem que ningu\u00e9m tinha usado, a linguagem valeparaibana. Qual \u00e9 o escritor que escreveu o valeparaibano? S\u00f3 eu. Eu tinha direito primeiramente porque sou povo daqui, sou caipira. Segundo porque eu tinha uma experi\u00eancia grande da linguagem mais profunda, da linguagem que se usa para rezar, por exemplo, da linguagem que se usa para amar, sou int\u00e9rprete de uma l\u00edngua que existe, que \u00e9 o valeparaibano: e eu escrevi em valeparaibano. Um pouco de Minas tamb\u00e9m, porque vim de uma fazenda de Minas. N\u00e3o nasci l\u00e1, sou de Cachoeira Paulista, mas vim de uma fazenda de Minas. Escutei aquelas conversas todas l\u00e1 e pus no livro com a maior fidelidade poss\u00edvel, porque sou caipira, mas em cima do caipirismo, da caipirice, eu sou uma criatura estudada, trabalhada.<br \/>\nVou me repetir, mas n\u00e3o faz mal: eu conto hist\u00f3rias para quem nada exige, e para quem nada tem. Para aqueles que conhe\u00e7o. Sou um deles. Participo do seu mist\u00e9rio. Essa \u00e9 a minha \u00fanica humanidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O que existe \u00e9 gente Ruth Guimar\u00e3es Um dia desses \u2013 afinal de contas tudo aconteceu agorinha mesmo &#8211; andei falando sobre linguagem e escrituras. Falando sobre o escrever. Eu comecei a escrever porque tinha umas ideias a respeito da linguagem, sempre gostei muito de discutir a linguagem dos autores. 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