{"id":3249,"date":"2025-08-28T12:55:05","date_gmt":"2025-08-28T15:55:05","guid":{"rendered":"https:\/\/institutoruthguimaraes.org.br\/site\/?p=3249"},"modified":"2025-08-28T12:55:05","modified_gmt":"2025-08-28T15:55:05","slug":"premio-ruth-guimaraes-iii-jornada-da-mulher-negra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutoruthguimaraes.org.br\/site\/premio-ruth-guimaraes-iii-jornada-da-mulher-negra\/","title":{"rendered":"Pr\u00eamio Ruth Guimar\u00e3es III Jornada da Mulher Negra"},"content":{"rendered":"<p>O N\u00facleo de Estudos e Pesquisas \u00c9tnico Raciais (NUPE) da Faculdade de Medicina de Botucatu (FMB\/Unesp) aproveitou o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, comemorado em 25 de julho, realizou \u00a0na Pinacoteca F\u00f3rum das Artes um evento com programa\u00e7\u00e3o diversificada: palestras, atividades culturais, apresenta\u00e7\u00e3o de trabalhos e relatos de viv\u00eancias, e muito debate, muitas quest\u00f5es. Em um espa\u00e7o seguro, onde as pessoas se sentem acolhidas, onde se pode falar e ser escutado, onde h\u00e1 constru\u00e7\u00e3o coletiva. Onde se pode construir uma rede de apoio porque as pessoas, &#8211; os docentes, discentes, palestrantes, coordenadores, organizadores &#8211; falam a mesma l\u00edngua, t\u00eam um lugar de fala e dialogam.<\/p>\n<p>O tema proposto para J\u00fania Botelho, representante do Instituto Ruth Guimar\u00e3es, foi sobre a ancestralidade, ou mais precisamente: uma palestra sobre os saberes ancestrais, oralidade e produ\u00e7\u00e3o de mem\u00f3ria. As moderadoras foram a doutoranda Gabriela Botelho e a sra. Aparecida Donizete. N\u00e3o por acaso, Gabriela e J\u00fania s\u00e3o parentas, a prima Gabriela, neta de primo, distante no tempo, mas de uma proximidade trazida pelos ancestrais, de uma voz que escutamos e n\u00e3o sabemos de onde vem. Aparecida fez perguntas muito pertinentes. Nem sempre temos respostas para todas as quest\u00f5es, mas nem por isso elas devem deixar de ser colocadas. A dor \u00e9 ancestral? N\u00e3o sei, mas certamente a felicidade \u00e9. A felicidade de ter comigo, a meu lado, como um apoio, Gabriela, que nem era Botelho, nasceu Ferreira e foi mudando seu nome ao longo do tempo. Por qu\u00ea? Porque era assim que tinha de ser. E porque assim foi. Doemos, sim, choramos, sim, e isso n\u00e3o deve ser esquecido. Mas a dor ancestral n\u00e3o deve doer somente para nos fazer chorar, cantemos, dancemos, porque temos esse banzo, esse profundo sentimento de melancolia e saudade da terra natal, da fam\u00edlia e da liberdade, que faz parte de nossa hist\u00f3ria e de nossa pele, sentimos, mas n\u00e3o podemos morrer por ele \u2013 devemos viver por ele e fazer disso um passo para ir al\u00e9m e fazer viver nossa hist\u00f3ria de outra maneira.<\/p>\n<p>O sobrenome. Ent\u00e3o n\u00e3o temos sobrenome? Perdemos o que t\u00ednhamos e n\u00e3o somos mais nada? N\u00e3o temos mais a ancestralidade? Somos aqueles que fomos, e que nem sabemos mais de onde viemos, mas que trazemos na pele, e ganhamos o que conquistamos. As particularidades e especificidades daqueles que aprendemos a ser, \u00e0 for\u00e7a ou com o tempo adaptando-nos ao que temos. Quem eu sou e de onde eu venho est\u00e1 ligado a este nome que n\u00e3o tenho? Eu sou minha m\u00e3e, minha av\u00f3, minha bisav\u00f3 e me deixo em minha filha. A ancestralidade \u00e9 a filha que eu n\u00e3o tive e, no entanto, \u00e9 a filha que se tornou. Minha filha \u00e9 branca de m\u00e3e preta, Gabriela \u00e9 preta de m\u00e3e branca e, no entanto, somos ela e eu da mesma linhagem. Meu nome \u00e9 aquela que me tornei. As tradi\u00e7\u00f5es podem recome\u00e7ar. Ou come\u00e7amos outras. Os saberes ancestrais ganham novos sabores, o sabor da mem\u00f3ria, que est\u00e1 ressignificada nas rela\u00e7\u00f5es intergeracionais, s\u00f3 temos que saber como passar e receber os saberes e os sabores. Temos de resgatar esse ciclo de cuidados, temos de pertencer e para isso lembrar o tempo todo, fazer da mem\u00f3ria n\u00e3o um canto de lamentos, mas um canto de ninar e fortalecer nossa identidade. A luta pela nossa preserva\u00e7\u00e3o, pela nossa exist\u00eancia e pela nossa dignidade vem do tempo de conversar e de passar a informa\u00e7\u00e3o. Cuidemos da alma!<\/p>\n<p>Ruth Guimar\u00e3es conta hist\u00f3rias: \u201cEscrevo para que, afinal? Para obter honra e gl\u00f3ria? Para poder dizer tudo o que penso?\u201d, questiona a autora em um dos trechos do seu livro\u00a0<em>Contos de cidadezinha<\/em>. \u201cAh! Eu conto hist\u00f3rias para quem nada exige e para quem nada tem. Para aqueles que conhe\u00e7o: os ing\u00eanuos, os pobres, os ignaros, sem erudi\u00e7\u00e3o nem filosofias. Sou um deles. Participo do seu mist\u00e9rio. Essa \u00e9 a \u00fanica humanidade dispon\u00edvel para mim.\u201d Ela conta hist\u00f3rias e n\u00f3s n\u00e3o estamos mais contando. N\u00e3o sabemos mais a origem de nosso nome. S\u00f3 n\u00e3o teremos mais nome, se n\u00e3o tivermos mais mem\u00f3ria. A jornada da mulher negra trouxe novamente \u00e0 tona o nome de Ruth Guimar\u00e3es. E de todas essas mulheres enfermeiras, doulas, m\u00e9dicas, professoras, assistentes, que estavam ali assistindo, conversando, palestrando, ajudando a fazer a comida para os intervalos, declamando, rindo, se emocionando o que escutamos? Hist\u00f3rias. Comovidas e comoventes. Pessoas ocupando seu espa\u00e7o. Representando e sendo representadas por seus pares.<\/p>\n<p>Houve uma reivindica\u00e7\u00e3o muito apropriada que saiu dessa jornada: \u00e9 necess\u00e1rio haver mais representatividade, os nossos precisam fazer parte das decis\u00f5es, porque somente assim a universidade ser\u00e1 verdadeiramente democr\u00e1tica. O povo preto n\u00e3o est\u00e1 preparado para concorrer a esses postos de decis\u00e3o? Ent\u00e3o como preparar o povo preto? Como preparar concursos de forma mais justa? A jornada n\u00e3o deve ser somente te\u00f3rica, mas apresentar propostas para serem enviadas a respons\u00e1veis governamentais. Para que seja um movimento mais efetivo.\u00a0 Mais a\u00e7\u00e3o, mais solu\u00e7\u00f5es, instrumentalizando a popula\u00e7\u00e3o da jornada. Das jornadas. Da universidade. Do mundo.<\/p>\n<p>Ruth Guimar\u00e3es deu o nome a um pr\u00eamio. Esperemos que seja inspira\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\t\t<style type=\"text\/css\">\n\t\t\t#gallery-1 {\n\t\t\t\tmargin: auto;\n\t\t\t}\n\t\t\t#gallery-1 .gallery-item {\n\t\t\t\tfloat: left;\n\t\t\t\tmargin-top: 10px;\n\t\t\t\ttext-align: center;\n\t\t\t\twidth: 33%;\n\t\t\t}\n\t\t\t#gallery-1 img {\n\t\t\t\tborder: 2px solid #cfcfcf;\n\t\t\t}\n\t\t\t#gallery-1 .gallery-caption {\n\t\t\t\tmargin-left: 0;\n\t\t\t}\n\t\t\t\/* see gallery_shortcode() in wp-includes\/media.php *\/\n\t\t<\/style>\n\t\t<div id='gallery-1' class='gallery galleryid-3249 gallery-columns-3 gallery-size-thumbnail'><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/institutoruthguimaraes.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Instituto-Ruth-Guimaraes-1-2.jpeg'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"250\" height=\"150\" src=\"https:\/\/institutoruthguimaraes.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Instituto-Ruth-Guimaraes-1-2-250x150.jpeg\" 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