{"id":3341,"date":"2026-03-11T14:18:36","date_gmt":"2026-03-11T17:18:36","guid":{"rendered":"https:\/\/institutoruthguimaraes.org.br\/site\/?p=3341"},"modified":"2026-03-11T14:18:36","modified_gmt":"2026-03-11T17:18:36","slug":"o-instituto-ruth-guimaraes-faz-parcerias-para-a-divulgacao-do-concurso-de-fotografia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutoruthguimaraes.org.br\/site\/o-instituto-ruth-guimaraes-faz-parcerias-para-a-divulgacao-do-concurso-de-fotografia\/","title":{"rendered":"O Instituto Ruth Guimar\u00e3es faz parcerias para a divulga\u00e7\u00e3o do concurso de fotografia"},"content":{"rendered":"<h2>A fotografia e a Educa\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>Como trabalhar as imagens, enquanto educadores, na era das redes sociais?<br \/>\nEm um mundo saturado de imagens, \u00e9 urgente que nossas respostas a elas transcendam a mera emo\u00e7\u00e3o. De fato, sem uma orienta\u00e7\u00e3o anal\u00edtica, prevalece o fasc\u00ednio, especialmente porque as imagens, retiradas de contexto, viralizam, tornando sua avalia\u00e7\u00e3o extremamente dif\u00edcil. Todos os tipos de manipula\u00e7\u00e3o se tornam poss\u00edveis, visto que todos podem n\u00e3o apenas ver imagens diariamente, mas tamb\u00e9m reproduzi-las e dissemin\u00e1-las. Hoje os espectadores s\u00e3o tamb\u00e9m produtores e distribuidores de imagens, especialmente os mais jovens. Em outras palavras, eles veem e s\u00e3o vistos, mas sobretudo, veem e mostram, criando fotos e v\u00eddeos que gostam de compartilhar. O indiv\u00edduo mostra a sociedade que ele conhece, mas que ao mesmo tempo todos querem ver.<\/p>\n<div id=\"attachment_3342\" style=\"width: 475px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-3342\" class=\"wp-image-3342\" src=\"https:\/\/institutoruthguimaraes.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Instituto-Ruth-Guimaraes-Fotografia-1024x728.jpeg\" alt=\"Ruth Guimar\u00e3es\" width=\"465\" height=\"331\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/institutoruthguimaraes.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Instituto-Ruth-Guimaraes-Fotografia-1024x728.jpeg 1024w, https:\/\/institutoruthguimaraes.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Instituto-Ruth-Guimaraes-Fotografia-300x213.jpeg 300w, https:\/\/institutoruthguimaraes.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Instituto-Ruth-Guimaraes-Fotografia-768x546.jpeg 768w, https:\/\/institutoruthguimaraes.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Instituto-Ruth-Guimaraes-Fotografia.jpeg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 465px) 100vw, 465px\" \/><p id=\"caption-attachment-3342\" class=\"wp-caption-text\">J\u00fania Botelho do Instituto Ruth Guimar\u00e3es, C\u00edntia Carbone coordenadora da educa\u00e7\u00e3o e Isa Paula Evangelista Rosa Secret\u00e1ria da educa\u00e7\u00e3o.<\/p><\/div>\n<p>Existem v\u00e1rias leis que se baseiam em pol\u00edticas de seguran\u00e7a p\u00fablica para a preven\u00e7\u00e3o da delinqu\u00eancia que levam em considera\u00e7\u00e3o as diferentes formas de intera\u00e7\u00e3o, punindo \u201co ato de produzir, transportar ou disseminar por qualquer meio e em qualquer suporte uma mensagem de natureza violenta ou pornogr\u00e1fica ou que prejudique gravemente a dignidade humana\u201d. Mas quem ensina as crian\u00e7as e os adolescentes a distinguir essas imagens? N\u00e3o estamos aptos a praticar os verbos ver olhar e enxergar. N\u00e3o estamos praticando a an\u00e1lise de imagens.<\/p>\n<p>Compreender implica: interessar-se pelas motiva\u00e7\u00f5es dos criadores da imagem, questionar como pensaram e agiram, para entrar no espa\u00e7o simb\u00f3lico do saber. E, desta forma o indiv\u00edduo deixa de somente apertar um bot\u00e3o e passa a fazer uma escolha.<\/p>\n<p>As escolas t\u00eam um papel a desempenhar na introdu\u00e7\u00e3o dos jovens a essa abordagem reflexiva das imagens, especialmente porque cada vez mais crian\u00e7as muito pequenas, a partir dos 6 ou 7 anos, est\u00e3o expostas \u00e0s redes sociais. Imagens aparecem inesperadamente em suas telas, e os jovens as consomem e compartilham indiscriminadamente, sem avaliar as mensagens apresentadas ou considerar as consequ\u00eancias de compartilh\u00e1-las.<\/p>\n<p>A escola deve ajudar a capacitar os alunos a aprender a ler e analisar informa\u00e7\u00f5es e imagens, aprimorar suas habilidades de pensamento cr\u00edtico e formar suas pr\u00f3prias opini\u00f5es &#8211; habilidades essenciais para o exerc\u00edcio de uma cidadania informada e respons\u00e1vel em uma democracia. Nesse contexto, as atividades tendem a dissociar o \u201ci\u201d de \u201cinforma\u00e7\u00e3o\u201d do \u201ci\u201d de \u201cimagem\u201d. Isso se deve, sem d\u00favida, em parte, ao peso do verbal na institui\u00e7\u00e3o. O uso de imagens nas escolas n\u00e3o faz parte das normas do ensino e da pedagogia tradicionais, que s\u00e3o baseadas principalmente em textos escritos, onde h\u00e1 uma predomin\u00e2ncia de signos e discurso sobre a experi\u00eancia direta e da intelig\u00eancia abstrata sobre o conhecimento pr\u00e1tico. A alfabetiza\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica e informacional n\u00e3o \u00e9 uma disciplina e a pr\u00e1tica art\u00edstica praticamente desapareceu dos programas de forma\u00e7\u00e3o docente. Por isso o Instituto Ruth Guimar\u00e3es foca na alfabetiza\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica, pensando nos valores da imagem. Ou, dito de outra forma, pensar em ir al\u00e9m das habilidades lingu\u00edsticas que s\u00e3o constantemente enfatizadas porque s\u00e3o consideradas essenciais para a inser\u00e7\u00e3o profissional dos jovens. Al\u00e9m disso, a polissemia das imagens ainda \u00e9 frequentemente negligenciada, embora seja um sistema cujas sutilezas comunicam maneiras de ver, conhecer, compreender, mas tamb\u00e9m, por vezes, maneiras de n\u00e3o compreender\u2026<\/p>\n<p>O impacto das imagens em n\u00f3s e em nossos filhos.<\/p>\n<p>As imagens oferecem caminhos para a explora\u00e7\u00e3o, ao mesmo tempo que deixam o leitor livre para tirar suas pr\u00f3prias conclus\u00f5es, e os professores &#8211; tradicionalmente detentores do conhecimento &#8211; se incomodam com essa perda de controle. No entanto, abrir as escolas para esse mundo tem implica\u00e7\u00f5es claramente pol\u00edticas, permitindo que a alteridade se torne tang\u00edvel e, assim, contribuindo para a educa\u00e7\u00e3o c\u00edvica essencial para a vida em uma democracia.<\/p>\n<p>Compreens\u00e3o pela pr\u00e1tica<br \/>\n\u00c9 criando imagens que aprendemos a compreend\u00ea-las.<br \/>\nNesse caso, a imagem se torna um m\u00e9todo para abordar a imagem em sua diversidade fundamental. E embora as escolas nem sempre estejam inclinadas ou acostumadas a isso, \u00e9 essencial adotar essa abordagem. Hoje, para a grande maioria das crian\u00e7as, \u00e9 o \u00fanico lugar onde essa educa\u00e7\u00e3o pode acontecer. As escolas devem fazer isso, mesmo que signifique mudar seus h\u00e1bitos e mentalidades. O Instituto Ruth Guimar\u00e3es defende essa dimens\u00e3o experimental do fazer, ou aprender fazendo, que permite aos alunos compreender os c\u00f3digos visuais em a\u00e7\u00e3o, testando-os concretamente. Mas esse m\u00e9todo n\u00e3o faz parte do sistema escolar. Mas podemos sair do n\u00facleo comum de habilidades e conhecimentos e da cultura comum. Passamos a transmitir mais do que o conhecimento comum, compartilhando com as crian\u00e7as e com todos os indiv\u00edduos que comp\u00f5em a comunidade algo que leva a uma fun\u00e7\u00e3o diretamente social e pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Ensinar a enxergar, em uma era de desinforma\u00e7\u00e3o e not\u00edcias falsas, por meio da experi\u00eancia pr\u00e1tica, permite que as crian\u00e7as interajam com esse meio de comunica\u00e7\u00e3o de uma maneira singular, sem aceitar passivamente uma interpreta\u00e7\u00e3o predeterminada. Ela introduz a \u201cindisciplina\u201d inerente ao conhecimento emergente, ainda em desenvolvimento e inst\u00e1vel, livre da escuta reverente e fora do \u00e2mbito do conhecimento e da compreens\u00e3o estabelecidos.<\/p>\n<p>Essa pr\u00e1tica \u00e9, por vezes, arriscada, pois pode levar a associa\u00e7\u00f5es inesperadas e at\u00e9 violentas. No entanto, oferece um espa\u00e7o din\u00e2mico para experimenta\u00e7\u00e3o, adaptado a uma realidade em constante transforma\u00e7\u00e3o. Esse espa\u00e7o excepcional, onde a transmiss\u00e3o ocorre por meios que n\u00e3o o discurso e o conhecimento &#8211; \u00e0s vezes sem discurso algum -, \u00e9 ideal para lidar com informa\u00e7\u00f5es que s\u00e3o um organismo vivo.<\/p>\n<p>Essa abordagem em sala de aula rompe finalmente com a descoberta cada vez mais solit\u00e1ria de imagens na internet. Ela nos leva a questionar como o que recebemos molda nossas escolhas e a\u00e7\u00f5es, e desenvolve conhecimento que fomenta o engajamento reflexivo. Impede a aceita\u00e7\u00e3o cega, o tipo de distanciamento cr\u00edtico que leva a aceitar e repetir mensagens sem interpreta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ao se depararem com imagens, as crian\u00e7as precisam aprender a se descentralizar, apresentando uma pluralidade de pontos de vista e questionando sua natureza como trechos isolados de um todo maior.<\/p>\n<p>O Instituto Ruth Guimar\u00e3es est\u00e1 oferecendo o \u201cextracurricular\u201d, o apoio de forma\u00e7\u00e3o, a chance de fazermos dessa parceria um ato concreto. Infelizmente, os professores ainda se sentem muito desconfort\u00e1veis em introduzir essa \u00e9tica da observa\u00e7\u00e3o ao discutir pr\u00e1ticas de informa\u00e7\u00e3o e m\u00eddia com os alunos. Eles pr\u00f3prios n\u00e3o foram educados sobre m\u00eddia e informa\u00e7\u00e3o e ficam paralisados diante da ideia de lidar com as dificuldades relacionadas a quest\u00f5es sociais urgentes.<\/p>\n<p>No entanto, devemos aceitar trazer o mundo informacional dos adolescentes de hoje para as escolas porque, como afirma a fil\u00f3sofa Marie-Jos\u00e9 Mondzain, \u201cn\u00e3o saber como iniciar um olhar para a pr\u00f3pria paix\u00e3o de ver, n\u00e3o ser capaz de construir uma cultura de observa\u00e7\u00e3o, \u00e9 a\u00ed que come\u00e7a a verdadeira viol\u00eancia contra aqueles que entregamos indefesos ao apetite voraz da visibilidade\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A fotografia e a Educa\u00e7\u00e3o Como trabalhar as imagens, enquanto educadores, na era das redes sociais? Em um mundo saturado de imagens, \u00e9 urgente que nossas respostas a elas transcendam a mera emo\u00e7\u00e3o. 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