Ruth Guimarães e a juventude nesses anos de 2026

Ruth Guimarães dizia que quem gostava de velho era reumatismo. Ela estava sempre com os jovens e os adolescentes, ouvindo novas ideias, discutindo, encorajando a moçada. Escrevia sempre, dava 44 horas de aula por semana, fazia palestras, dormia pouquíssimo e ouvia os moços. Ela teria gostado de ver esses mocinhos, Júlia Batista, Sérgio Portilho, Maria Fernanda curiosos, procurando a importância de Ruth Guimarães. Fazendo perguntas muito pertinentes, especulando, fuçando, destrinchando as frases, os livros, os arquivos, a papelada que está espalhada nesta casa velha esperando sua hora de acontecer.

O que os/as pesquisadores/as percebem é que “a trajetória dela (Ruth Guimarães) é um exemplo a ser seguido no sentido da segurança e autoconfiança no que escrevia e, tendo essa certeza, mostrou sua escrita para quem estava receptivo a novas descobertas na literatura, o que se pretendia na época: uma escrita focada na identidade nacional, no caso, a identidade negra” diz a escritora Ana dos Santos, pesquisadora na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Já Natália Chaves diz que “o encantamento de Ruth Guimarães está em ter ocupado espaços restritos para pessoas negras da época, como estudar em universidade pública e aprender um novo idioma, a ponto de traduzir obras clássicas e, ainda assim, ter mantido um compromisso com a cultura caipira e popular em seus contos e no seu romance Água Funda”.

Viviane Duarte comenta que “Ela (Ruth Guimarães) é uma inspiração para todas nós, mulheres negras. Foi uma mulher que não se intimidou com seu tempo. Ocupou espaços importantes e construiu espaços importantes”. Ruth está ocupando seu espaço hoje ainda, 12 anos depois de sua morte, 106 anos de seu nascimento, 80 anos do lançamento do seu primeiro romance, Água Funda. Fernanda Rodrigues de Miranda é professora adjunta de Teoria da literatura na Universidade Federal da Bahia – UFBA, é autora do livro Silêncios prEscritos: estudo de romances de autoras negras brasileiras (1859-2006) onde há um estudo sobre Ruth Guimarães, inclusive. Ruth Guimarães, invisibilizada? Sua voz é forte, são muitas vozes, disse Severino Antônio. São as nossas vozes ecoando a sua. Somos muitos e seremos cada dia mais! Os moços a levarão.

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