DEBATE SOBRE O PATRIMÔNIO CULTURAL NO INSTITUTO RUTH GUIMARÃES

Com a presença de Danilo Nunes, superintendente do IPHAN SP, representantes do IEV, Diego Amaro, e também a presença de Mestre Gil do jongo de Piquete, de representantes do Instituto Baobá, da capoeira Uiliam Henrique, de Resende, da Folia de Reis Rodolfo Cantador de Piquete, além de representantes da sociedade civil, evento organizado por Thatyana Costa e Raphael Capucho, Gestores de Projetos Culturais, em parceria com o Instituto Ruth Guimarães.
Contrariando uma visão puramente arquitetônica do patrimônio, o Brasil é pioneiro na valorização de suas tradições. O país protege ativamente seu patrimônio imaterial por meio do Instituto Nacional do Patrimônio Histórico e Artístico (IPHAN). Expressões como a capoeira, o samba de roda e o frevo são reconhecidas como reflexos da identidade profundamente enraizada no país.
Nesse 30 de maio de 2026, o Instituto Ruth Guimarães foi palco de uma conversa animada sobre patrimônio cultural, que se refere a todos os bens, conhecimentos e tradições herdados do passado que uma sociedade opta por preservar, promover e transmitir às gerações futuras devido ao seu valor histórico, artístico ou antropológico. Divide-se principalmente em duas categorias principais:
Patrimônio material: Inclui elementos físicos e tangíveis, como monumentos (prédios, catedrais), sítios arqueológicos, obras de arte e conjuntos urbanos.
Patrimônio imaterial: Abrange tradições vivas, habilidades artesanais, práticas sociais, rituais, histórias e música.
Houve vários esclarecimentos a propósito do papel das instituições e também da sociedade em relação à proteção do patrimônio cultural no Brasil, que é assegurada conjuntamente por instituições federais, regionais e internacionais, sendo o principal órgão o IPHAN (Instituto Nacional do Patrimônio Histórico e Artístico). A gestão e a salvaguarda desse patrimônio são organizadas em diversos níveis.
No âmbito federal temos a instituição central que é o IPHAN (vinculado ao Ministério da Cultura). Ele é responsável pelo inventário e classificação do patrimônio material e pelo registro do patrimônio imaterial.
Nos âmbitos estadual e municipal: cada estado brasileiro possui seu próprio conselho de proteção, como a CONDEPHAAT no estado de São Paulo.
As secretarias municipais de cultura também desempenham um papel importante nos esforços locais de preservação. No âmbito internacional: o Brasil colabora com a UNESCO para inscrever e proteger seus sítios na Lista do Patrimônio Mundial e com organizações como o ICOM para combater o tráfico ilícito de bens culturais.
No Brasil, o papel da sociedade civil é fundamental e constitucional.
Ela não é mera espectadora, mas sim uma verdadeira agente na preservação, gestão e transmissão do patrimônio cultural (material e imaterial).

Diversos aspectos ilustram a responsabilidade e o compromisso da sociedade, por exemplo:
• Gestão compartilhada e comitês: a sociedade civil participa ativamente da governança do patrimônio por meio de comitês consultivos e de gestão, como exemplificado pelos Comitês de Sítios do Patrimônio Mundial do Instituto Nacional do Patrimônio Histórico e Artístico (IPHAN).
• Participação em inventários e salvaguarda: As políticas públicas brasileiras (particularmente para o patrimônio imaterial) contam com a participação ativa de comunidades, detentores de tradições e povos indígenas, que identificam e documentam seus próprios saberes e rituais.
• Vigilância e ativismo: Diante de ameaças ou crises (como os incêndios no Museu Nacional), a sociedade civil desempenha um papel crucial como denunciante, exercendo pressão política e defendendo os bens públicos.
• Transmissão intergeracional: Como criadora e guardiã das culturas tradicionais, populares e afro-brasileiras, a sociedade civil assegura a sobrevivência das expressões culturais no cotidiano.
A aprendizagem mais importante que emergiu desse debate foi a de que preservar o patrimônio é uma responsabilidade compartilhada. Embora o Estado desempenhe um papel fundamental, a sociedade civil e as empresas se tornaram atores essenciais. Seu comprometimento possibilita o financiamento, a restauração, a promoção e a transmissão desse patrimônio coletivo para as futuras gerações.
O envolvimento ativo da sociedade civil é essencial para garantir a continuidade do patrimônio histórico e cultural. Essa mudança da observação passiva para a ação cívica fortalece a coesão social e assegura a transmissão desse patrimônio às gerações futuras. Esse desejo de agir coletivamente assume muitas formas concretas e se baseia na responsabilidade compartilhada e a melhor forma de lutar é envolver a comunidade, é a transmissão intergeracional a partir das tradições, línguas, histórias orais. Os cidadãos são os guardiões vivos dessas práticas e desempenham um papel central em sua transmissão diária dentro de suas comunidades, por isso mesmo envolver significa conscientizar e educar, pois quando organizamos ou participamos de eventos locais, exposições ou visitas guiadas, a sociedade civil conscientiza um público mais amplo sobre a importância de sua história.
O Instituto Ruth Guimarães não somente faz parte de nossa história, está continuando a fazer história. Acompanhe, participe! Nossa luta está apenas começando.

Ruth Guimarães nas escolas: EFMP PADRE JUCA

O impacto de escritores regionais nas escolas.

O encontro entre o sistema escolar e autores de uma região é um poderoso impulsionador da identidade cultural. Os professores que conseguem incorporar autores locais fazem com que seus alunos se conscientizem sobre o patrimônio cultural de sua região Trazer um escritor da região para a sala de aula fortalece a confiança dos alunos e estimula sua motivação para a leitura e a escrita.
Escritores locais desempenham um papel fundamental na formação da identidade cultural dos alunos. Ao oferecerem histórias enraizadas na região e na memória coletiva, eles fomentam um forte senso de identificação. A proximidade geográfica e social reduz a distância e aumenta significativamente o impacto emocional e intelectual sobre os jovens leitores. Esse impacto da proximidade se estrutura em torno de vários fatores-chave, por exemplo, o efeito espelho e a autoestima: os alunos se reconhecem nos lugares, expressões e temas abordados. Isso valida suas próprias experiências e reforça seu senso de pertencimento a uma comunidade. Além disso eles incorporam a cultura, porque encontrar um autor que vive em sua região desmistifica a escrita, o escritor se torna um modelo acessível, facilitando a aquisição da linguagem e o desenvolvimento do pensamento crítico. E em terceiro lugar há a transmissão da memória, já que esses autores dão vida ao patrimônio imaterial, às tradições e à história local — elementos essenciais para a formação de fortes referências culturais. O engajamento educacional desses professores que utilizam esses textos para conduzir projetos interdisciplinares, como visitas a lugares mencionados no livro, oficinas de escrita, consolida o aprendizado de forma permanente.
A iniciativa da professora Ana Paula Barbosa de trazer a filha da escritora Ruth Guimarães, Júnia Botelho, no âmbito do programa da PNERQ – A Política Nacional de Equidade, Educação para as Relações Étnico-Raciais e Educação Escolar Quilombola , cujo objetivo é implantar ações e programas educacionais voltados à superação das desigualdades étnico-raciais e do racismo nos ambientes de ensino, bem como à promoção da política educacional para a população quilombola trouxe duas perspectivas: a de mostrar para essas crianças e jovens que uma sua conterrânea, mulher e negra, conseguiu o que eles acreditam impossível. Pois em sua concepção, o futuro deles é virar pedreiro, mecânico ou “nóia”. A discussão foi bem acalorada, visões pré-concebidas são difíceis de serem discutidas e o vocabulário restrito gera mal-entendidos. Mas esses jovens estavam decididos a entender. Ponto para a organizadora desse debate. A segunda perspectiva foi apresentar a escritora Ruth Guimarães que usa sua linguagem, na qual se reconhecem, e cuja curiosidade foi despertada.
Foi feita uma comparação da obra e vida de Ruth Guimarães com a vida e obra de Carolina Maria de Jesus, e aí o debate foi sobre o sistema, a sociedade, a educação e as formas de enfrentamento.
Sim, é difícil motivar essa geração dos anos 2026. Não sabemos como chegar até eles, e eles não estão querendo chegar até nós. Mas temos esses educadores que estão implantando práticas proativas para a gestão de sala de aula, criando condições para encontrar soluções. Estão administrando os recursos disponíveis que, neste caso, foi trazer um convidado para reflexão em sala de aula. Tentaram estabelecer regras e instruções claras e desenvolver relações positivas com os alunos ao mostrar que estão se importando com eles, acolhendo suas angústias, mesmo que eles nem saibam o quanto suas dúvidas estão presentes.
“Os professores são jardineiros da inteligência humana”, disse Victor Hugo. Às vezes eles precisam de assistentes. Que possamos ajudá-los o máximo possível e quantas vezes forem necessárias.

Clube de Leitura: a pluralidade em Ruth Guimarães

Clube de Leitura “A Pluralidade em Ruth Guimarães” Você é apaixonado por literatura? Então não pode perder a oportunidade de participar do nosso clube de leitura online: “A Pluralidade em Ruth Guimarães”. A cada dois meses, de maio a novembro, sempre às 19h30. Encontros online, acessíveis de qualquer lugar. Haverá diversos mediadores, incluindo os filhos da autora, que trarão uma perspectiva única sobre a obra de Ruth Guimarães. Por que participar? Descubra a riqueza da literatura de Ruth Guimarães. Debata temas relevantes e faça novas amizades. Conecte-se com outros leitores e amantes da literatura. Inscreva-se ! Se precisar de mais informações ou detalhes sobre como se inscrever, estamos à disposição.

PROGRAMAÇÃO:

27 de maio – Análise psicossocial dos personagens do conto “ESCURO” (do livro “Contos de Cidadezinha”) e avaliação do estilo literário. Recomendada a leitura prévia, para discussão e debates na data do encontro. Mediação a cargo de Júnia Botelho.

29 de julho – DOIS DEDOS DE PROSA SOBRE OS MITOS . Texto introdutório do livro “Lendas e Fábulas do Brasil”. Nesse texto, a autora trata das variáveis etnográficas e culturais encontradas nas histórias populares recolhidas por ela na região do Vale do Paraíba e propõe uma inovadora classificação. Mediação de Joaquim Maria Botelho.

30 de setembro – Estudo da crônica “É JULHO” . Observação aguda de componentes da geografia física e humana do Vale do Paraíba, que serão identificadas no encontro, no qual também será analisada a poética da linguagem. Mediação de Joaquim Maria Botelho.

29 de novembro – Debate sobre as inovações trazidas por Ruth Guimarães no livro ÁGUA FUNDA . Mediação de Júlia Batista..

Eventuais desdobramentos necessários para aprofundamento dos debates podem ensejar encontros extraordinários, a pedido do grupo.

 

O realismo encantado de Ruth Guimarães no projeto Viva Piquete!

No último sábado, 25 de abril, a @fundacaochristianorosa promoveu uma Oficina conduzida Júnia Guimarães Botelho ( @juniagb ) sobre “o Realismo Encantado de Ruth Guimarães”.
Júnia é filha da escritora Ruth Guimarães e está à frente, juntamente com seus irmãos, do @instituto_ruth_guimaraes , sediado em Cachoeira Paulista, cidade natal de D. Ruth.
A Oficina apresentou parte da história e da bibliografia de Ruth Guimarães, além de ter discutido aspectos fundamentais de sua obra, explorando a linguagem, os temas e a forma como o real e o simbólico se entrelaçam em sua escrita.
Foi uma tarde de poesia, contos e crônicas, com leituras e interpretações que comoveram e fizeram rir todos que participaram.
“A gente passa nessa vida como canoa em água funda. Passa. A água bole um pouco. E depois não fica mais nada”. Esse é um trechinho de “Água Funda”, romance de estreia de Ruth Guimarães, lançado originalmente em 1946. É dos livros mais lindos que já li…
Quem quiser conhecer melhor a obra de D. Ruth, acesse a página do @instituto_ruth_guimaraes .
Eles têm muitas atividades.
A Oficina conduzida por @juniagb é mais uma atividade do projeto “Piquete Viva: Cultura, Educação e Meio Ambiente”.
Viva Piquete Viva!
Viva o Piquete Viva!

Texto de Laurentino Gonçalves Dias Júnior

Ruth Guimarães e a juventude nesses anos de 2026

Ruth Guimarães dizia que quem gostava de velho era reumatismo. Ela estava sempre com os jovens e os adolescentes, ouvindo novas ideias, discutindo, encorajando a moçada. Escrevia sempre, dava 44 horas de aula por semana, fazia palestras, dormia pouquíssimo e ouvia os moços. Ela teria gostado de ver esses mocinhos, Júlia Batista, Sérgio Portilho, Maria Fernanda curiosos, procurando a importância de Ruth Guimarães. Fazendo perguntas muito pertinentes, especulando, fuçando, destrinchando as frases, os livros, os arquivos, a papelada que está espalhada nesta casa velha esperando sua hora de acontecer.

O que os/as pesquisadores/as percebem é que “a trajetória dela (Ruth Guimarães) é um exemplo a ser seguido no sentido da segurança e autoconfiança no que escrevia e, tendo essa certeza, mostrou sua escrita para quem estava receptivo a novas descobertas na literatura, o que se pretendia na época: uma escrita focada na identidade nacional, no caso, a identidade negra” diz a escritora Ana dos Santos, pesquisadora na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Já Natália Chaves diz que “o encantamento de Ruth Guimarães está em ter ocupado espaços restritos para pessoas negras da época, como estudar em universidade pública e aprender um novo idioma, a ponto de traduzir obras clássicas e, ainda assim, ter mantido um compromisso com a cultura caipira e popular em seus contos e no seu romance Água Funda”.

Viviane Duarte comenta que “Ela (Ruth Guimarães) é uma inspiração para todas nós, mulheres negras. Foi uma mulher que não se intimidou com seu tempo. Ocupou espaços importantes e construiu espaços importantes”. Ruth está ocupando seu espaço hoje ainda, 12 anos depois de sua morte, 106 anos de seu nascimento, 80 anos do lançamento do seu primeiro romance, Água Funda. Fernanda Rodrigues de Miranda é professora adjunta de Teoria da literatura na Universidade Federal da Bahia – UFBA, é autora do livro Silêncios prEscritos: estudo de romances de autoras negras brasileiras (1859-2006) onde há um estudo sobre Ruth Guimarães, inclusive. Ruth Guimarães, invisibilizada? Sua voz é forte, são muitas vozes, disse Severino Antônio. São as nossas vozes ecoando a sua. Somos muitos e seremos cada dia mais! Os moços a levarão.

CULTSP PRO: formação, qualificação e capacitação gratuita para profissionais da cultura e economia criativa em todo o estado de São Paulo.

Não se escolhe uma carreira na cultura por acaso: encontros, a riqueza e a diversidade da vida profissional, o significado e a satisfação são apenas algumas das vantagens de viver sua paixão, trabalhar no setor cultural permite ter uma influência direta e positiva na sociedade. Os profissionais da cultura desempenham um papel fundamental na preservação e disseminação do patrimônio cultural, além de promover a educação e a conscientização pública. Eles contribuem para a formação da identidade cultural e o enriquecimento da vida das pessoas, fomentando, assim, um ambiente mais inclusivo e educativo para todos.

Seguir uma carreira na cultura oferece uma realização pessoal incomparável, pois é gratificante e permite unir paixão e profissão, além de desenvolver a criatividade e se envolver em projetos que refletem os próprios interesses e valores. Para alguns, é uma forma de trabalhar sem que pareça um trabalho, conhecer pessoas inspiradoras, interagir com artistas e participar de eventos e apresentações — certamente no aspecto organizacional, mas com a mesma alegria, participando e contribuindo para a disseminação e a compreensão da cultura.O setor cultural é caracterizado por uma ampla variedade de oportunidades profissionais. Das artes cênicas à gestão cultural, incluindo artes visuais, mídia e turismo cultural, as possibilidades são vastas.

Essa variedade oferece aos futuros profissionais a liberdade de escolher o caminho que melhor se adapta às suas habilidades e interesses, garantindo uma carreira dinâmica e enriquecedora, como por exemplo:
Artes Cênicas: teatro, dança, música, artes performáticas, circo, performance de rua, ópera.
Artes Visuais: pintura, escultura, vídeo, fotografia.
Gestão Cultural: aspectos organizacionais e administrativos, gestão de projetos culturais.
Mídia e comunicação: jornalismo cultural, crítica de arte, marketing e relações com a imprensa para organizações culturais.
Patrimônio cultural e turismo: gestão de sítios históricos e museus, e preservação do patrimônio cultural.

Existem muitas dificuldades em se fazer cultura no Brasil Não se trata somente de negligência, mas de desinvestimento, uma escolha deliberada e, em última análise, uma escolha feita por pessoas incompetentes cujos interesses são puramente pessoais e predatórios. São pessoas capazes de levar adiante uma missão de destruição. Refletir sobre a cultura é refletir sobre o outro. É refletir sobre como construir pontes, enxergar o outro, ouvi-lo, nos fazer conhecer, incluí-lo. Existem dois Brasils: um que quer preservar a memória, aprender com seus erros e seguir em frente; o outro que prefere ignorar as diferenças. Por que se interessar pelo trabalho de professores e pesquisadores, ou investir nele? Por que se interessar pelas obras de artistas? Por que fazer um café filosófico se esse tipo de evento não traz público e não me dá votos? A arte é uma ferramenta, um grito que nos permite continuar e seguir em frente.

Transmitir a cultura às novas gerações é essencial para a sustentabilidade da identidade coletiva e a evolução social. Isso envolve aprendizagem ativa (língua, tradições, artes), a democratização do conhecimento para reduzir as desigualdades e a construção de uma ponte entre o patrimônio do passado e as inovações contemporâneas.
A educação artística e cultural não existe mais nas escolas, então é necessário aprender em encontros com artistas, obter prática e conhecimento, com profissionais qualificados para promover o desenvolvimento pessoal e social. Aprender com especialistas ajuda a desenvolver a sensibilidade e o pensamento crítico. É o que está nos oferecendo o CULTSP PRO: formação, qualificação e capacitação gratuita para profissionais da cultura e economia criativa em todo o estado de São Paulo.

Ele é administrado pelo IDG, o programa foca no desenvolvimento técnico em áreas como: audiovisual, gestão cultural, artes cênicas, moda e fotografia, atendendo a jovens (16+) e adultos. Precisamos abraçar, urgentemente, o que nos é oferecido, neste campo que está tão carente de tudo. Precisamos aprender para poder executar o que nos é tão caro! A equipe do CULTSP PRO esteve em Lavrinhas, fazendo uma explanação muito interessante do trabalho que estão fazendo: oferecem cursos totalmente gratuitos em seis escolas temáticas (Artes, Patrimônio, Audiovisual/Games, Conteúdo/Design, Tradições/Gastronomia, Inovação/Sustentabilidade) com ações em todo o estado, incluindo cursos online, presenciais e o “CultSP na Estrada”; qualificação em Artes com mentorias e orientação para grupos de dança e teatro; têm infraestrutura, o Complexo Cultural Oswald de Andrade, na capital, serve como base tecnológica com laboratórios modernos. As inscrições e informações sobre a programação podem ser acompanhadas no site oficial cultsppro.org.br.
O Instituto Ruth Guimarães esteve acompanhando todas as informações e vamos certamente nos candidatar para receber todo esse apoio. Você, fazedor de cultura, venha também!

Ruth Guimarães

O Instituto Ruth Guimarães faz parcerias para a divulgação do concurso de fotografia

A fotografia e a Educação

Como trabalhar as imagens, enquanto educadores, na era das redes sociais?
Em um mundo saturado de imagens, é urgente que nossas respostas a elas transcendam a mera emoção. De fato, sem uma orientação analítica, prevalece o fascínio, especialmente porque as imagens, retiradas de contexto, viralizam, tornando sua avaliação extremamente difícil. Todos os tipos de manipulação se tornam possíveis, visto que todos podem não apenas ver imagens diariamente, mas também reproduzi-las e disseminá-las. Hoje os espectadores são também produtores e distribuidores de imagens, especialmente os mais jovens. Em outras palavras, eles veem e são vistos, mas sobretudo, veem e mostram, criando fotos e vídeos que gostam de compartilhar. O indivíduo mostra a sociedade que ele conhece, mas que ao mesmo tempo todos querem ver.

Ruth Guimarães

Júnia Botelho do Instituto Ruth Guimarães, Cíntia Carbone coordenadora da educação e Isa Paula Evangelista Rosa Secretária da educação.

Existem várias leis que se baseiam em políticas de segurança pública para a prevenção da delinquência que levam em consideração as diferentes formas de interação, punindo “o ato de produzir, transportar ou disseminar por qualquer meio e em qualquer suporte uma mensagem de natureza violenta ou pornográfica ou que prejudique gravemente a dignidade humana”. Mas quem ensina as crianças e os adolescentes a distinguir essas imagens? Não estamos aptos a praticar os verbos ver olhar e enxergar. Não estamos praticando a análise de imagens.

Compreender implica: interessar-se pelas motivações dos criadores da imagem, questionar como pensaram e agiram, para entrar no espaço simbólico do saber. E, desta forma o indivíduo deixa de somente apertar um botão e passa a fazer uma escolha.

As escolas têm um papel a desempenhar na introdução dos jovens a essa abordagem reflexiva das imagens, especialmente porque cada vez mais crianças muito pequenas, a partir dos 6 ou 7 anos, estão expostas às redes sociais. Imagens aparecem inesperadamente em suas telas, e os jovens as consomem e compartilham indiscriminadamente, sem avaliar as mensagens apresentadas ou considerar as consequências de compartilhá-las.

A escola deve ajudar a capacitar os alunos a aprender a ler e analisar informações e imagens, aprimorar suas habilidades de pensamento crítico e formar suas próprias opiniões – habilidades essenciais para o exercício de uma cidadania informada e responsável em uma democracia. Nesse contexto, as atividades tendem a dissociar o “i” de “informação” do “i” de “imagem”. Isso se deve, sem dúvida, em parte, ao peso do verbal na instituição. O uso de imagens nas escolas não faz parte das normas do ensino e da pedagogia tradicionais, que são baseadas principalmente em textos escritos, onde há uma predominância de signos e discurso sobre a experiência direta e da inteligência abstrata sobre o conhecimento prático. A alfabetização midiática e informacional não é uma disciplina e a prática artística praticamente desapareceu dos programas de formação docente. Por isso o Instituto Ruth Guimarães foca na alfabetização midiática, pensando nos valores da imagem. Ou, dito de outra forma, pensar em ir além das habilidades linguísticas que são constantemente enfatizadas porque são consideradas essenciais para a inserção profissional dos jovens. Além disso, a polissemia das imagens ainda é frequentemente negligenciada, embora seja um sistema cujas sutilezas comunicam maneiras de ver, conhecer, compreender, mas também, por vezes, maneiras de não compreender…

O impacto das imagens em nós e em nossos filhos.

As imagens oferecem caminhos para a exploração, ao mesmo tempo que deixam o leitor livre para tirar suas próprias conclusões, e os professores – tradicionalmente detentores do conhecimento – se incomodam com essa perda de controle. No entanto, abrir as escolas para esse mundo tem implicações claramente políticas, permitindo que a alteridade se torne tangível e, assim, contribuindo para a educação cívica essencial para a vida em uma democracia.

Compreensão pela prática
É criando imagens que aprendemos a compreendê-las.
Nesse caso, a imagem se torna um método para abordar a imagem em sua diversidade fundamental. E embora as escolas nem sempre estejam inclinadas ou acostumadas a isso, é essencial adotar essa abordagem. Hoje, para a grande maioria das crianças, é o único lugar onde essa educação pode acontecer. As escolas devem fazer isso, mesmo que signifique mudar seus hábitos e mentalidades. O Instituto Ruth Guimarães defende essa dimensão experimental do fazer, ou aprender fazendo, que permite aos alunos compreender os códigos visuais em ação, testando-os concretamente. Mas esse método não faz parte do sistema escolar. Mas podemos sair do núcleo comum de habilidades e conhecimentos e da cultura comum. Passamos a transmitir mais do que o conhecimento comum, compartilhando com as crianças e com todos os indivíduos que compõem a comunidade algo que leva a uma função diretamente social e política.

Ensinar a enxergar, em uma era de desinformação e notícias falsas, por meio da experiência prática, permite que as crianças interajam com esse meio de comunicação de uma maneira singular, sem aceitar passivamente uma interpretação predeterminada. Ela introduz a “indisciplina” inerente ao conhecimento emergente, ainda em desenvolvimento e instável, livre da escuta reverente e fora do âmbito do conhecimento e da compreensão estabelecidos.

Essa prática é, por vezes, arriscada, pois pode levar a associações inesperadas e até violentas. No entanto, oferece um espaço dinâmico para experimentação, adaptado a uma realidade em constante transformação. Esse espaço excepcional, onde a transmissão ocorre por meios que não o discurso e o conhecimento – às vezes sem discurso algum -, é ideal para lidar com informações que são um organismo vivo.

Essa abordagem em sala de aula rompe finalmente com a descoberta cada vez mais solitária de imagens na internet. Ela nos leva a questionar como o que recebemos molda nossas escolhas e ações, e desenvolve conhecimento que fomenta o engajamento reflexivo. Impede a aceitação cega, o tipo de distanciamento crítico que leva a aceitar e repetir mensagens sem interpretação.

Ao se depararem com imagens, as crianças precisam aprender a se descentralizar, apresentando uma pluralidade de pontos de vista e questionando sua natureza como trechos isolados de um todo maior.

O Instituto Ruth Guimarães está oferecendo o “extracurricular”, o apoio de formação, a chance de fazermos dessa parceria um ato concreto. Infelizmente, os professores ainda se sentem muito desconfortáveis em introduzir essa ética da observação ao discutir práticas de informação e mídia com os alunos. Eles próprios não foram educados sobre mídia e informação e ficam paralisados diante da ideia de lidar com as dificuldades relacionadas a questões sociais urgentes.

No entanto, devemos aceitar trazer o mundo informacional dos adolescentes de hoje para as escolas porque, como afirma a filósofa Marie-José Mondzain, “não saber como iniciar um olhar para a própria paixão de ver, não ser capaz de construir uma cultura de observação, é aí que começa a verdadeira violência contra aqueles que entregamos indefesos ao apetite voraz da visibilidade”.

O INRG agora é ponto de Cultura regulamentado pela Política Nacional de Cultura Viva

Instituto Ruth Guimarães, Ponto de Cultura!

https://culturaviva.cultura.gov.br/certificado/34997/

Cachoeira Paulista tem um Ponto de Cultura, o Instituto Ruth Guimarães, estabelecido desde 2023. Ponto e Pontão de Cultura são iniciativas que fazem parte da Política Nacional de Cultura Viva, criada pelo Ministério da Cultura (MinC) e regulamentada em 2015 pela Lei Cultura Viva.

Os Pontos de Cultura são entidades sem fins lucrativos, grupos ou coletivos — com ou sem CNPJ — que desenvolvem atividades culturais contínuas em suas comunidades. Já os Pontões de Cultura exercem função articuladora: são entidades culturais ou instituições públicas de ensino que coordenam e fortalecem redes de Pontos e outras iniciativas culturais, promovendo mobilização, formação e intercâmbio.

Desde a regulamentação da lei, grupos e instituições podem se autodeclarar como Ponto ou Pontão de Cultura por meio de certificação simplificada. A certificação não garante repasse automático de recursos, mas funciona como reconhecimento institucional e facilita o acesso a editais e parcerias. Quando selecionados em chamadas públicas, podem firmar parceria com o poder público por meio do Termo de Compromisso Cultural (TCC), mecanismo que simplificou os processos de prestação de contas.

Atualmente, a política reúne mais de 4,5 mil iniciativas em mais de mil municípios do Brasil, alcançando cerca de 8 milhões de pessoas, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). A atuação é diversa e abrange cultura popular, indígena, quilombola, cultura digital, produção urbana e periférica, entre outras expressões artísticas e culturais.

O Instituto Ruth Guimarães nasceu em 2018, com o objetivo não somente de propagar a obra da escritora e do fotógrafo Zizinho Botelho, mas também  de oferecer à comunidade um espaço para mostrar suas manifestações culturais. A cidade de Cachoeira Paulista está carente de espaços culturais: o teatro municipal está em reforma, sem data de reabertura, a estação ferroviária foi tombada, mas vândalos estão saqueando tudo o que podem, o ginásio municipal que já foi usado como palco de festivais de dança, de música, hoje ali só podem ser realizados eventos estritamente ligados ao esporte, o auditório está abandonado e não há perspectivas de realização de reformas. Somente o que resta são as praças, mal conservadas e mal frequentadas. O Instituto Ruth Guimarães se esforça para oferecer cultura o ano todo, apesar de ser uma entidade sem fins lucrativos e, portanto, sem recursos financeiros para o básico.

O Fórum Nacional de Pontos e Pontões de Cultura é um espaço fundamental de participação social e articulação política da Política Nacional de Cultura Viva, reunindo coletivos para construir diretrizes, compartilhar experiências e fortalecer a rede em todo o Brasil. Esses encontros, organizados em instâncias municipais, estaduais e nacionais, são cruciais para a democracia cultural e incidência em políticas públicas.

O Instituto Ruth Guimarães vai participar do 4ª Fórum Paulista dos Pontos de Cultura, o maior e mais importante encontro da rede de Pontos e Pontões de Cultura do Estado de São Paulo. Nesta edição de 2026, tem como tema:  Cultura Viva Tecendo o Bem Viver.
O Fórum acontecerá de 26 de fevereiro a 1º de março, em Campinas, reunindo iniciativas culturais de todo o estado para encontros, fórum, debates, formações, vivências, articulações e mostra artística da Política Nacional Cultura Viva no Estado de São Paulo.

O Instituto Ruth Guimarães participa para se atualizar e se engajar com mais responsabilidade e mais eficácia nos seus propósitos de ser um centro cultural ativo em sua comunidade.

Ruth Guimarães

Ruth Guimarães na Flig novamente

As feiras literárias são encontros públicos onde obras literárias são discutidas em público, muitas vezes discutidas pelos próprios autores ou por profissionais (críticos, editores, etc.). Esta forma relativamente recente de mediação da literatura envolve a transição de uma prática de leitura vivenciada como solitária (o leitor diante do seu livro) para uma prática coletiva, que assim se apropria da noção de “público”, como um grupo reunido pelo e para o evento: a feira “celebra a literatura e as suas ressonâncias, e constrói uma ligação entre a solidão da criação literária e a efervescência do encontro coletivo”[1]. A Feira literária de Paraty – FLIP – influenciou as feiras do Brasil todo, e que está se espalhando pelo Vale do Paraíba. Temos a Fllor, de Lorena, a Flipinda, de Pindamonhangaba, a Flic, de Cruzeiro, a Flil, de Lavrinhas, a Flig, de Guaratinguetá.

Esta última aconteceu nestes dias 14 a 16 de novembro e homenageou Ruth Guimarães em uma mesa com Clarice Lispector e Betina Marino. Mesa: Literatura, mulheres e mídia: um encontro com Clarice Lispector, Ruth Guimarães e Betina Marino com as convidadas: Carla Orrú, Júnia Botelho e Juraci de Faria Condé, mesa mediada por Ivan Reis. Foi feita uma contextualização da vida e obra das escritoras com o objetivo de traçar um breve perfil biográfico de cada uma delas; discutiu-se suas carreiras, pois Clarice, Ruth e Betina também atuaram, para além de seus textos ficcionais, em veículos jornalísticos importantes para a mídia do Brasil. São vozes femininas que ainda ecoam nos dias de hoje.

O que ainda não conhecemos de cada uma e para quais leitores seus textos eram destinados. Sobre as questões de estilo, a conversa foi chegando no fato das escritoras também darem voz a assuntos que se tornaram relevantes em suas obras e, consequentemente, atravessaram gerações e o que faz de cada uma ser universal. Descobrimos a guaratinguetaense Betina Marino, revimos os textos de Clarice Lispector e descobrimos algumas curiosidades, as autoras enquanto cronistas de seu tempo e o quanto elas ainda dizem, apesar de ausentes do mercado literário há muito tempo, aqui não estão? Continuam no que fica de suas obras. Foram lidos alguns trechos selecionados pelas convidadas. Foi uma bela homenagem a essas três autoras, com tantos pontos em comum. Vida longa a Betina Marino, Clarice Lispector e Ruth Guimarães. Vida longa às feiras literárias e que o público aumente todos os anos.
http://www.correspondances-manosque.org/images/telecharger/programme-2013.pdf

A Manifesta.cia apresenta: As comadres de Ruth Guimarães

No dia 15 de novembro, às 16h30, o CEU Vila Esperança recebe o espetáculo “As Comadres de Ruth Guimarães” da Manifesta Cia, uma homenagem à escritora Ruth Guimarães, primeira mulher negra a ganhar destaque nacional na literatura brasileira.

Com direção de Andrea Ojeda, o espetáculo é um mergulho no universo da cultura popular e no poder da palavra que atravessa gerações. Entre causos, cantigas e sabedorias, as comadres celebram a força das mulheres e das histórias que aquecem o coração!Ruth Guimarães

15 de novembro
16h30
Entrada gratuita
Classificação livre
Acessibilidade integrada à cena
CEU Vila Esperança – Rua Demerval da S. Pereira, s/nº, Loteamento Vila Esperança – Campinas/SP

E de 3 a 14 de novembro, a biblioteca do CEU recebe a instalação literária “Encontro ao pé do Fogo: o universo de Ruth Guimarães” um convite ao aconchego da leitura, da música e da memória.

Uma história sobre amizade, ancestralidade e o poder das palavras que seguem vivas, contadas de comadre pra comadre.

Ficha técnica
Design: @joyce_msza
Acessibilidade: @dani.clh
Consultoria em acessibilidade: @souojeff

Ruth Guimarães