O Instituto Ruth Guimarães e a festa literária no Vale do Paraíba – Flipinda 4a edição

A Academia Pindamonhangabense de Letras foi a anfitriã da festa literária de Pinda, a Flipinda. A quarta edição celebrou a ancestralidade e a força da terra através do autor homenageado, Daniel Munduruku, de quem é a frase que se tornou o slogan da feira: “Contar histórias para que o mundo continue”.

Rhosana Dalle, a presidenta da academia, diz que é isso que estamos fazendo, contando histórias e construindo histórias para serem contadas e que enquanto houver uma história sendo contada, a humanidade estará viva. Em seu discurso de abertura, ela afirmou que a palavra escrita carrega um poder sublime, é ponte que atravessa abismos e conecta mundos. O tema da feira foi “Conexões”, cruzando as histórias das etnias, os fios ancestrais que formam a colcha de retalhos da nossa identidade.

Nos dias 13, 14 e 15 de agosto foi um encontro de diversas origens, unidos pelo mesmo afeto, costurados pela palavra que liberta. Antes de terminar, agradeceu a comissão organizadora, sua equipe, e o curador, Joaquim Maria Botelho – já foi presidente da UBE, é jornalista, escritor, membro fundador do Instituto Ruth Guimarães, filho da escritora Ruth Guimarães, a quem expressou sua admiração e gratidão por aceitar o desafio de desenhar os caminhos intelectuais e artísticos desta edição. Agradeceu o apoio e a boa vontade da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo. E, para finalizar, se expressou como artista, mulher e cidadã, afirmando que para ela, esta é a sua verdadeira missão de vida.

O Instituto Ruth Guimarães lá esteve, participando da festa. Estavam os filhos e as netas de Ruth Guimarães, trazendo seu legado e admirando quem está arregaçando as mangas e trabalhando muito pela cultura.

O Sopro Vivo de Ruth Guimarães: Um Legado em Movimento

O Instituto Ruth Guimarães entrou na vida das pessoas para difundir o conhecimento desta escritora extraordinária, abrindo uma porta monumental para a riqueza da cultura afro-brasileira e do folclore do Vale do Paraíba. Transformando memória em ação, esta instituição não só preserva o passado, como também impulsiona o imenso legado cultural de uma mulher pioneira que, a partir da publicação de sua obra-prima Água Funda, em 1946, revolucionou as convenções da literatura brasileira.

Este legado, ao mesmo tempo literário, linguístico e antropológico, encontra agora seus mais fervorosos e apaixonados guardiões entre seus descendentes. Seus herdeiros, em especial seus filhos Joaquim Maria Botelho, Júnia Botelho e Marcos Botelho, carregam incansavelmente a tocha de sua memória, atuando como pontes vivas entre a erudição de sua mãe e as novas gerações de leitores. Por meio da gestão meticulosa de seus arquivos inéditos, da republicação de suas crônicas e da digitalização de sua pesquisa folclórica, garantem que a voz singular de Ruth Guimarães continue a ressoar com força.

Esse trabalho de transmissão familiar dá novo fôlego ao legado cultural da escritora, que foi a primeira mulher negra a ser eleita para a Academia Paulista de Letras. O impacto de sua obra agora transcende as fronteiras acadêmicas para tocar os corações das comunidades locais, tornando cada oficina, cada republicação e cada círculo de leitura um ato de resistência cultural e uma celebração da identidade brasileira. Unindo o rigor da pesquisa ao calor da tradição oral que ela tanto amava, os herdeiros e o instituto transformam uma figura histórica em fonte de inspiração contemporânea, comprovando que o universo de Ruth Guimarães é um território literário infinito à espera de ser explorado.

Ruth Guimarães

Visita do pesquisador e escritor Marcelo Ramos

A visita de pesquisadores ao Instituto Ruth Guimarães, especialmente daqueles que buscam inspiração na trajetória da escritora, desempenha um papel fundamental na preservação da memória literária e no fortalecimento da identidade cultural brasileira. Como uma das primeiras escritoras negras a alcançar projeção nacional com o romance Água Funda em 1946, Ruth Guimarães construiu uma obra que entrelaça a erudição literária, a cultura caipira e o folclore de forma pioneira. Quando a comunidade acadêmica se desloca até o Instituto para debruçar-se sobre seu acervo, ocorre uma ativação vital desse patrimônio. Um arquivo histórico só cumpre sua verdadeira função social quando deixa de ser um repositório estático de papéis e se transforma em uma fonte viva de novas ideias, teses e interpretações críticas contemporâneas.

Ruth Guimarães

Pesquisador e escritor Marcelo Ramos no Instituto Ruth Guimarães

Ruth Guimarães

Pesquisador e escritor Marcelo Ramos no Instituto Ruth Guimarães

Essa presença de pesquisadores funciona como um selo de relevância científica e cultural para a instituição, elevando o status do local a um polo de produção de conhecimento. Cada estudo acadêmico, dissertação ou artigo produzido a partir dessas imersões projeta o legado de Ruth Guimarães para novas gerações e universidade, ajudando a corrigir o histórico apagamento de vozes negras e regionais na literatura clássica. Além disso, para os intelectuais e artistas que se inspiram diretamente nela, o contato com manuscritos, correspondências e objetos pessoais oferece um combustível simbólico incomparável. A biografia de Ruth — uma mulher negra e intelectual que desafiou as barreiras geográficas, de gênero e de raça de sua época — atua como um espelho de representatividade, motivando novos pensadores a validarem suas próprias origens e a ocuparem espaços de destaque na pesquisa científica nacional.

Por fim, esse fluxo contínuo de pesquisadores estabelece uma ponte dinâmica entre a academia e a comunidade local, oxigenando o cotidiano do Instituto. Os debates e as trocas de saberes gerados por essas visitas enriquecem diretamente as atividades da instituição, como as rodas de conversa e as ações de conscientização voltadas ao esclarecimento da população. Esse intercâmbio de conhecimento de alta qualidade democratiza o acesso à cultura e reforça a importância das mobilizações de base no combate ao preconceito. Assim, ao acolher aqueles que estudam e se inspiram em sua patrona, o Instituto Ruth Guimarães não apenas preserva um passado glorioso, mas atua ativamente na formação de uma sociedade mais consciente, plural e literariamente inclusiva.

O Racismo estrutural e a banalização da cultura de rua

Roda de conversa no Instituto Ruth Guimarães

Instituto Ruth Guimarães recebeu nesta terça-feira, dia 21 de julho de 2026, um grupo muito interessante para falar sobre o racismo estrutural e a banalização da cultura de rua. Um grupo formado por um antropólogo, um historiador, uma vereadora da cidade de Cachoeira Paulista, representantes de Taubaté, de Cruzeiro, de pessoas que participam do Instituto Baobá de Guaratinguetá.
Por que discutir esses temas?

O antirracismo se tornou um tema central de análise e ação pública para garantir a eficácia das instituições, a estabilidade social e a igualdade de direitos. O estudo e a implantação de políticas antirracistas se baseiam em fundamentos jurídicos, históricos e sociológicos precisos. De uma perspectiva estrutural, a pesquisa em ciências sociais demonstra a existência de discriminação sistêmica que dificulta o acesso equitativo ao emprego, à moradia, à educação e à justiça. Analisar e nomear esses mecanismos permite a elaboração de instrumentos regulatórios eficazes e o ajuste de políticas públicas para assegurar o respeito ao princípio da igualdade perante a lei, consagrado nos textos constitucionais. Historicamente, o racismo é documentado como uma construção política e ideológica desenvolvida para legitimar relações de dominação, particularmente durante os períodos coloniais.

Abordar o antirracismo a partir de uma perspectiva científica permite desconstruir esses preconceitos culturais herdados do passado, lançar luz sobre as dinâmicas sociais contemporâneas e prevenir divisões na comunidade. Por fim, diante da proliferação do discurso de ódio e da polarização da esfera pública, o antirracismo oferece um arcabouço jurídico e educacional rigoroso. Fortalece a coesão nacional ao fornecer respostas factuais e legais aos excessos xenófobos, protegendo assim a ordem pública e os princípios democráticos fundamentais.
A obtenção desses direitos depende da ação coletiva: é por meio do diálogo, de encontros em escala humana e de consultas locais que as políticas antirracistas ganham forma e produzem resultados tangíveis.
O Instituto Ruth Guimarães apoia ativamente essas iniciativas, rodas de conversa e ações de conscientização. Nosso espaço é aberto a todos, e convidamos a comunidade a participar, compartilhar seus depoimentos e construir esse diálogo conosco.

 

 

DEBATE SOBRE O PATRIMÔNIO CULTURAL NO INSTITUTO RUTH GUIMARÃES

Com a presença de Danilo Nunes, superintendente do IPHAN SP, representantes do IEV, Diego Amaro, e também a presença de Mestre Gil do jongo de Piquete, de representantes do Instituto Baobá, da capoeira Uiliam Henrique, de Resende, da Folia de Reis Rodolfo Cantador de Piquete, além de representantes da sociedade civil, evento organizado por Thatyana Costa e Raphael Capucho, Gestores de Projetos Culturais, em parceria com o Instituto Ruth Guimarães.
Contrariando uma visão puramente arquitetônica do patrimônio, o Brasil é pioneiro na valorização de suas tradições. O país protege ativamente seu patrimônio imaterial por meio do Instituto Nacional do Patrimônio Histórico e Artístico (IPHAN). Expressões como a capoeira, o samba de roda e o frevo são reconhecidas como reflexos da identidade profundamente enraizada no país.
Nesse 30 de maio de 2026, o Instituto Ruth Guimarães foi palco de uma conversa animada sobre patrimônio cultural, que se refere a todos os bens, conhecimentos e tradições herdados do passado que uma sociedade opta por preservar, promover e transmitir às gerações futuras devido ao seu valor histórico, artístico ou antropológico. Divide-se principalmente em duas categorias principais:
Patrimônio material: Inclui elementos físicos e tangíveis, como monumentos (prédios, catedrais), sítios arqueológicos, obras de arte e conjuntos urbanos.
Patrimônio imaterial: Abrange tradições vivas, habilidades artesanais, práticas sociais, rituais, histórias e música.
Houve vários esclarecimentos a propósito do papel das instituições e também da sociedade em relação à proteção do patrimônio cultural no Brasil, que é assegurada conjuntamente por instituições federais, regionais e internacionais, sendo o principal órgão o IPHAN (Instituto Nacional do Patrimônio Histórico e Artístico). A gestão e a salvaguarda desse patrimônio são organizadas em diversos níveis.
No âmbito federal temos a instituição central que é o IPHAN (vinculado ao Ministério da Cultura). Ele é responsável pelo inventário e classificação do patrimônio material e pelo registro do patrimônio imaterial.
Nos âmbitos estadual e municipal: cada estado brasileiro possui seu próprio conselho de proteção, como a CONDEPHAAT no estado de São Paulo.
As secretarias municipais de cultura também desempenham um papel importante nos esforços locais de preservação. No âmbito internacional: o Brasil colabora com a UNESCO para inscrever e proteger seus sítios na Lista do Patrimônio Mundial e com organizações como o ICOM para combater o tráfico ilícito de bens culturais.
No Brasil, o papel da sociedade civil é fundamental e constitucional.
Ela não é mera espectadora, mas sim uma verdadeira agente na preservação, gestão e transmissão do patrimônio cultural (material e imaterial).

Diversos aspectos ilustram a responsabilidade e o compromisso da sociedade, por exemplo:
• Gestão compartilhada e comitês: a sociedade civil participa ativamente da governança do patrimônio por meio de comitês consultivos e de gestão, como exemplificado pelos Comitês de Sítios do Patrimônio Mundial do Instituto Nacional do Patrimônio Histórico e Artístico (IPHAN).
• Participação em inventários e salvaguarda: As políticas públicas brasileiras (particularmente para o patrimônio imaterial) contam com a participação ativa de comunidades, detentores de tradições e povos indígenas, que identificam e documentam seus próprios saberes e rituais.
• Vigilância e ativismo: Diante de ameaças ou crises (como os incêndios no Museu Nacional), a sociedade civil desempenha um papel crucial como denunciante, exercendo pressão política e defendendo os bens públicos.
• Transmissão intergeracional: Como criadora e guardiã das culturas tradicionais, populares e afro-brasileiras, a sociedade civil assegura a sobrevivência das expressões culturais no cotidiano.
A aprendizagem mais importante que emergiu desse debate foi a de que preservar o patrimônio é uma responsabilidade compartilhada. Embora o Estado desempenhe um papel fundamental, a sociedade civil e as empresas se tornaram atores essenciais. Seu comprometimento possibilita o financiamento, a restauração, a promoção e a transmissão desse patrimônio coletivo para as futuras gerações.
O envolvimento ativo da sociedade civil é essencial para garantir a continuidade do patrimônio histórico e cultural. Essa mudança da observação passiva para a ação cívica fortalece a coesão social e assegura a transmissão desse patrimônio às gerações futuras. Esse desejo de agir coletivamente assume muitas formas concretas e se baseia na responsabilidade compartilhada e a melhor forma de lutar é envolver a comunidade, é a transmissão intergeracional a partir das tradições, línguas, histórias orais. Os cidadãos são os guardiões vivos dessas práticas e desempenham um papel central em sua transmissão diária dentro de suas comunidades, por isso mesmo envolver significa conscientizar e educar, pois quando organizamos ou participamos de eventos locais, exposições ou visitas guiadas, a sociedade civil conscientiza um público mais amplo sobre a importância de sua história.
O Instituto Ruth Guimarães não somente faz parte de nossa história, está continuando a fazer história. Acompanhe, participe! Nossa luta está apenas começando.

Ruth Guimarães nas escolas: EFMP PADRE JUCA

O impacto de escritores regionais nas escolas.

O encontro entre o sistema escolar e autores de uma região é um poderoso impulsionador da identidade cultural. Os professores que conseguem incorporar autores locais fazem com que seus alunos se conscientizem sobre o patrimônio cultural de sua região Trazer um escritor da região para a sala de aula fortalece a confiança dos alunos e estimula sua motivação para a leitura e a escrita.
Escritores locais desempenham um papel fundamental na formação da identidade cultural dos alunos. Ao oferecerem histórias enraizadas na região e na memória coletiva, eles fomentam um forte senso de identificação. A proximidade geográfica e social reduz a distância e aumenta significativamente o impacto emocional e intelectual sobre os jovens leitores. Esse impacto da proximidade se estrutura em torno de vários fatores-chave, por exemplo, o efeito espelho e a autoestima: os alunos se reconhecem nos lugares, expressões e temas abordados. Isso valida suas próprias experiências e reforça seu senso de pertencimento a uma comunidade. Além disso eles incorporam a cultura, porque encontrar um autor que vive em sua região desmistifica a escrita, o escritor se torna um modelo acessível, facilitando a aquisição da linguagem e o desenvolvimento do pensamento crítico. E em terceiro lugar há a transmissão da memória, já que esses autores dão vida ao patrimônio imaterial, às tradições e à história local — elementos essenciais para a formação de fortes referências culturais. O engajamento educacional desses professores que utilizam esses textos para conduzir projetos interdisciplinares, como visitas a lugares mencionados no livro, oficinas de escrita, consolida o aprendizado de forma permanente.
A iniciativa da professora Ana Paula Barbosa de trazer a filha da escritora Ruth Guimarães, Júnia Botelho, no âmbito do programa da PNERQ – A Política Nacional de Equidade, Educação para as Relações Étnico-Raciais e Educação Escolar Quilombola , cujo objetivo é implantar ações e programas educacionais voltados à superação das desigualdades étnico-raciais e do racismo nos ambientes de ensino, bem como à promoção da política educacional para a população quilombola trouxe duas perspectivas: a de mostrar para essas crianças e jovens que uma sua conterrânea, mulher e negra, conseguiu o que eles acreditam impossível. Pois em sua concepção, o futuro deles é virar pedreiro, mecânico ou “nóia”. A discussão foi bem acalorada, visões pré-concebidas são difíceis de serem discutidas e o vocabulário restrito gera mal-entendidos. Mas esses jovens estavam decididos a entender. Ponto para a organizadora desse debate. A segunda perspectiva foi apresentar a escritora Ruth Guimarães que usa sua linguagem, na qual se reconhecem, e cuja curiosidade foi despertada.
Foi feita uma comparação da obra e vida de Ruth Guimarães com a vida e obra de Carolina Maria de Jesus, e aí o debate foi sobre o sistema, a sociedade, a educação e as formas de enfrentamento.
Sim, é difícil motivar essa geração dos anos 2026. Não sabemos como chegar até eles, e eles não estão querendo chegar até nós. Mas temos esses educadores que estão implantando práticas proativas para a gestão de sala de aula, criando condições para encontrar soluções. Estão administrando os recursos disponíveis que, neste caso, foi trazer um convidado para reflexão em sala de aula. Tentaram estabelecer regras e instruções claras e desenvolver relações positivas com os alunos ao mostrar que estão se importando com eles, acolhendo suas angústias, mesmo que eles nem saibam o quanto suas dúvidas estão presentes.
“Os professores são jardineiros da inteligência humana”, disse Victor Hugo. Às vezes eles precisam de assistentes. Que possamos ajudá-los o máximo possível e quantas vezes forem necessárias.

Clube de Leitura: a pluralidade em Ruth Guimarães

Clube de Leitura “A Pluralidade em Ruth Guimarães” Você é apaixonado por literatura? Então não pode perder a oportunidade de participar do nosso clube de leitura online: “A Pluralidade em Ruth Guimarães”. A cada dois meses, de maio a novembro, sempre às 19h30. Encontros online, acessíveis de qualquer lugar. Haverá diversos mediadores, incluindo os filhos da autora, que trarão uma perspectiva única sobre a obra de Ruth Guimarães. Por que participar? Descubra a riqueza da literatura de Ruth Guimarães. Debata temas relevantes e faça novas amizades. Conecte-se com outros leitores e amantes da literatura. Inscreva-se ! Se precisar de mais informações ou detalhes sobre como se inscrever, estamos à disposição.

PROGRAMAÇÃO:

27 de maio – Análise psicossocial dos personagens do conto “ESCURO” (do livro “Contos de Cidadezinha”) e avaliação do estilo literário. Recomendada a leitura prévia, para discussão e debates na data do encontro. Mediação a cargo de Júnia Botelho.

29 de julho – DOIS DEDOS DE PROSA SOBRE OS MITOS . Texto introdutório do livro “Lendas e Fábulas do Brasil”. Nesse texto, a autora trata das variáveis etnográficas e culturais encontradas nas histórias populares recolhidas por ela na região do Vale do Paraíba e propõe uma inovadora classificação. Mediação de Joaquim Maria Botelho.

30 de setembro – Estudo da crônica “É JULHO” . Observação aguda de componentes da geografia física e humana do Vale do Paraíba, que serão identificadas no encontro, no qual também será analisada a poética da linguagem. Mediação de Joaquim Maria Botelho.

29 de novembro – Debate sobre as inovações trazidas por Ruth Guimarães no livro ÁGUA FUNDA . Mediação de Júlia Batista..

Eventuais desdobramentos necessários para aprofundamento dos debates podem ensejar encontros extraordinários, a pedido do grupo.

 

O realismo encantado de Ruth Guimarães no projeto Viva Piquete!

No último sábado, 25 de abril, a @fundacaochristianorosa promoveu uma Oficina conduzida Júnia Guimarães Botelho ( @juniagb ) sobre “o Realismo Encantado de Ruth Guimarães”.
Júnia é filha da escritora Ruth Guimarães e está à frente, juntamente com seus irmãos, do @instituto_ruth_guimaraes , sediado em Cachoeira Paulista, cidade natal de D. Ruth.
A Oficina apresentou parte da história e da bibliografia de Ruth Guimarães, além de ter discutido aspectos fundamentais de sua obra, explorando a linguagem, os temas e a forma como o real e o simbólico se entrelaçam em sua escrita.
Foi uma tarde de poesia, contos e crônicas, com leituras e interpretações que comoveram e fizeram rir todos que participaram.
“A gente passa nessa vida como canoa em água funda. Passa. A água bole um pouco. E depois não fica mais nada”. Esse é um trechinho de “Água Funda”, romance de estreia de Ruth Guimarães, lançado originalmente em 1946. É dos livros mais lindos que já li…
Quem quiser conhecer melhor a obra de D. Ruth, acesse a página do @instituto_ruth_guimaraes .
Eles têm muitas atividades.
A Oficina conduzida por @juniagb é mais uma atividade do projeto “Piquete Viva: Cultura, Educação e Meio Ambiente”.
Viva Piquete Viva!
Viva o Piquete Viva!

Texto de Laurentino Gonçalves Dias Júnior

Ruth Guimarães e a juventude nesses anos de 2026

Ruth Guimarães dizia que quem gostava de velho era reumatismo. Ela estava sempre com os jovens e os adolescentes, ouvindo novas ideias, discutindo, encorajando a moçada. Escrevia sempre, dava 44 horas de aula por semana, fazia palestras, dormia pouquíssimo e ouvia os moços. Ela teria gostado de ver esses mocinhos, Júlia Batista, Sérgio Portilho, Maria Fernanda curiosos, procurando a importância de Ruth Guimarães. Fazendo perguntas muito pertinentes, especulando, fuçando, destrinchando as frases, os livros, os arquivos, a papelada que está espalhada nesta casa velha esperando sua hora de acontecer.

O que os/as pesquisadores/as percebem é que “a trajetória dela (Ruth Guimarães) é um exemplo a ser seguido no sentido da segurança e autoconfiança no que escrevia e, tendo essa certeza, mostrou sua escrita para quem estava receptivo a novas descobertas na literatura, o que se pretendia na época: uma escrita focada na identidade nacional, no caso, a identidade negra” diz a escritora Ana dos Santos, pesquisadora na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Já Natália Chaves diz que “o encantamento de Ruth Guimarães está em ter ocupado espaços restritos para pessoas negras da época, como estudar em universidade pública e aprender um novo idioma, a ponto de traduzir obras clássicas e, ainda assim, ter mantido um compromisso com a cultura caipira e popular em seus contos e no seu romance Água Funda”.

Viviane Duarte comenta que “Ela (Ruth Guimarães) é uma inspiração para todas nós, mulheres negras. Foi uma mulher que não se intimidou com seu tempo. Ocupou espaços importantes e construiu espaços importantes”. Ruth está ocupando seu espaço hoje ainda, 12 anos depois de sua morte, 106 anos de seu nascimento, 80 anos do lançamento do seu primeiro romance, Água Funda. Fernanda Rodrigues de Miranda é professora adjunta de Teoria da literatura na Universidade Federal da Bahia – UFBA, é autora do livro Silêncios prEscritos: estudo de romances de autoras negras brasileiras (1859-2006) onde há um estudo sobre Ruth Guimarães, inclusive. Ruth Guimarães, invisibilizada? Sua voz é forte, são muitas vozes, disse Severino Antônio. São as nossas vozes ecoando a sua. Somos muitos e seremos cada dia mais! Os moços a levarão.

CULTSP PRO: formação, qualificação e capacitação gratuita para profissionais da cultura e economia criativa em todo o estado de São Paulo.

Não se escolhe uma carreira na cultura por acaso: encontros, a riqueza e a diversidade da vida profissional, o significado e a satisfação são apenas algumas das vantagens de viver sua paixão, trabalhar no setor cultural permite ter uma influência direta e positiva na sociedade. Os profissionais da cultura desempenham um papel fundamental na preservação e disseminação do patrimônio cultural, além de promover a educação e a conscientização pública. Eles contribuem para a formação da identidade cultural e o enriquecimento da vida das pessoas, fomentando, assim, um ambiente mais inclusivo e educativo para todos.

Seguir uma carreira na cultura oferece uma realização pessoal incomparável, pois é gratificante e permite unir paixão e profissão, além de desenvolver a criatividade e se envolver em projetos que refletem os próprios interesses e valores. Para alguns, é uma forma de trabalhar sem que pareça um trabalho, conhecer pessoas inspiradoras, interagir com artistas e participar de eventos e apresentações — certamente no aspecto organizacional, mas com a mesma alegria, participando e contribuindo para a disseminação e a compreensão da cultura.O setor cultural é caracterizado por uma ampla variedade de oportunidades profissionais. Das artes cênicas à gestão cultural, incluindo artes visuais, mídia e turismo cultural, as possibilidades são vastas.

Essa variedade oferece aos futuros profissionais a liberdade de escolher o caminho que melhor se adapta às suas habilidades e interesses, garantindo uma carreira dinâmica e enriquecedora, como por exemplo:
Artes Cênicas: teatro, dança, música, artes performáticas, circo, performance de rua, ópera.
Artes Visuais: pintura, escultura, vídeo, fotografia.
Gestão Cultural: aspectos organizacionais e administrativos, gestão de projetos culturais.
Mídia e comunicação: jornalismo cultural, crítica de arte, marketing e relações com a imprensa para organizações culturais.
Patrimônio cultural e turismo: gestão de sítios históricos e museus, e preservação do patrimônio cultural.

Existem muitas dificuldades em se fazer cultura no Brasil Não se trata somente de negligência, mas de desinvestimento, uma escolha deliberada e, em última análise, uma escolha feita por pessoas incompetentes cujos interesses são puramente pessoais e predatórios. São pessoas capazes de levar adiante uma missão de destruição. Refletir sobre a cultura é refletir sobre o outro. É refletir sobre como construir pontes, enxergar o outro, ouvi-lo, nos fazer conhecer, incluí-lo. Existem dois Brasils: um que quer preservar a memória, aprender com seus erros e seguir em frente; o outro que prefere ignorar as diferenças. Por que se interessar pelo trabalho de professores e pesquisadores, ou investir nele? Por que se interessar pelas obras de artistas? Por que fazer um café filosófico se esse tipo de evento não traz público e não me dá votos? A arte é uma ferramenta, um grito que nos permite continuar e seguir em frente.

Transmitir a cultura às novas gerações é essencial para a sustentabilidade da identidade coletiva e a evolução social. Isso envolve aprendizagem ativa (língua, tradições, artes), a democratização do conhecimento para reduzir as desigualdades e a construção de uma ponte entre o patrimônio do passado e as inovações contemporâneas.
A educação artística e cultural não existe mais nas escolas, então é necessário aprender em encontros com artistas, obter prática e conhecimento, com profissionais qualificados para promover o desenvolvimento pessoal e social. Aprender com especialistas ajuda a desenvolver a sensibilidade e o pensamento crítico. É o que está nos oferecendo o CULTSP PRO: formação, qualificação e capacitação gratuita para profissionais da cultura e economia criativa em todo o estado de São Paulo.

Ele é administrado pelo IDG, o programa foca no desenvolvimento técnico em áreas como: audiovisual, gestão cultural, artes cênicas, moda e fotografia, atendendo a jovens (16+) e adultos. Precisamos abraçar, urgentemente, o que nos é oferecido, neste campo que está tão carente de tudo. Precisamos aprender para poder executar o que nos é tão caro! A equipe do CULTSP PRO esteve em Lavrinhas, fazendo uma explanação muito interessante do trabalho que estão fazendo: oferecem cursos totalmente gratuitos em seis escolas temáticas (Artes, Patrimônio, Audiovisual/Games, Conteúdo/Design, Tradições/Gastronomia, Inovação/Sustentabilidade) com ações em todo o estado, incluindo cursos online, presenciais e o “CultSP na Estrada”; qualificação em Artes com mentorias e orientação para grupos de dança e teatro; têm infraestrutura, o Complexo Cultural Oswald de Andrade, na capital, serve como base tecnológica com laboratórios modernos. As inscrições e informações sobre a programação podem ser acompanhadas no site oficial cultsppro.org.br.
O Instituto Ruth Guimarães esteve acompanhando todas as informações e vamos certamente nos candidatar para receber todo esse apoio. Você, fazedor de cultura, venha também!

Ruth Guimarães