Com a presença de Danilo Nunes, superintendente do IPHAN SP, representantes do IEV, Diego Amaro, e também a presença de Mestre Gil do jongo de Piquete, de representantes do Instituto Baobá, da capoeira Uiliam Henrique, de Resende, da Folia de Reis Rodolfo Cantador de Piquete, além de representantes da sociedade civil, evento organizado por Thatyana Costa e Raphael Capucho, Gestores de Projetos Culturais, em parceria com o Instituto Ruth Guimarães.
Contrariando uma visão puramente arquitetônica do patrimônio, o Brasil é pioneiro na valorização de suas tradições. O país protege ativamente seu patrimônio imaterial por meio do Instituto Nacional do Patrimônio Histórico e Artístico (IPHAN). Expressões como a capoeira, o samba de roda e o frevo são reconhecidas como reflexos da identidade profundamente enraizada no país.
Nesse 30 de maio de 2026, o Instituto Ruth Guimarães foi palco de uma conversa animada sobre patrimônio cultural, que se refere a todos os bens, conhecimentos e tradições herdados do passado que uma sociedade opta por preservar, promover e transmitir às gerações futuras devido ao seu valor histórico, artístico ou antropológico. Divide-se principalmente em duas categorias principais:
Patrimônio material: Inclui elementos físicos e tangíveis, como monumentos (prédios, catedrais), sítios arqueológicos, obras de arte e conjuntos urbanos.
Patrimônio imaterial: Abrange tradições vivas, habilidades artesanais, práticas sociais, rituais, histórias e música.
Houve vários esclarecimentos a propósito do papel das instituições e também da sociedade em relação à proteção do patrimônio cultural no Brasil, que é assegurada conjuntamente por instituições federais, regionais e internacionais, sendo o principal órgão o IPHAN (Instituto Nacional do Patrimônio Histórico e Artístico). A gestão e a salvaguarda desse patrimônio são organizadas em diversos níveis.
No âmbito federal temos a instituição central que é o IPHAN (vinculado ao Ministério da Cultura). Ele é responsável pelo inventário e classificação do patrimônio material e pelo registro do patrimônio imaterial.
Nos âmbitos estadual e municipal: cada estado brasileiro possui seu próprio conselho de proteção, como a CONDEPHAAT no estado de São Paulo.
As secretarias municipais de cultura também desempenham um papel importante nos esforços locais de preservação. No âmbito internacional: o Brasil colabora com a UNESCO para inscrever e proteger seus sítios na Lista do Patrimônio Mundial e com organizações como o ICOM para combater o tráfico ilícito de bens culturais.
No Brasil, o papel da sociedade civil é fundamental e constitucional.
Ela não é mera espectadora, mas sim uma verdadeira agente na preservação, gestão e transmissão do patrimônio cultural (material e imaterial).
Diversos aspectos ilustram a responsabilidade e o compromisso da sociedade, por exemplo:
• Gestão compartilhada e comitês: a sociedade civil participa ativamente da governança do patrimônio por meio de comitês consultivos e de gestão, como exemplificado pelos Comitês de Sítios do Patrimônio Mundial do Instituto Nacional do Patrimônio Histórico e Artístico (IPHAN).
• Participação em inventários e salvaguarda: As políticas públicas brasileiras (particularmente para o patrimônio imaterial) contam com a participação ativa de comunidades, detentores de tradições e povos indígenas, que identificam e documentam seus próprios saberes e rituais.
• Vigilância e ativismo: Diante de ameaças ou crises (como os incêndios no Museu Nacional), a sociedade civil desempenha um papel crucial como denunciante, exercendo pressão política e defendendo os bens públicos.
• Transmissão intergeracional: Como criadora e guardiã das culturas tradicionais, populares e afro-brasileiras, a sociedade civil assegura a sobrevivência das expressões culturais no cotidiano.
A aprendizagem mais importante que emergiu desse debate foi a de que preservar o patrimônio é uma responsabilidade compartilhada. Embora o Estado desempenhe um papel fundamental, a sociedade civil e as empresas se tornaram atores essenciais. Seu comprometimento possibilita o financiamento, a restauração, a promoção e a transmissão desse patrimônio coletivo para as futuras gerações.
O envolvimento ativo da sociedade civil é essencial para garantir a continuidade do patrimônio histórico e cultural. Essa mudança da observação passiva para a ação cívica fortalece a coesão social e assegura a transmissão desse patrimônio às gerações futuras. Esse desejo de agir coletivamente assume muitas formas concretas e se baseia na responsabilidade compartilhada e a melhor forma de lutar é envolver a comunidade, é a transmissão intergeracional a partir das tradições, línguas, histórias orais. Os cidadãos são os guardiões vivos dessas práticas e desempenham um papel central em sua transmissão diária dentro de suas comunidades, por isso mesmo envolver significa conscientizar e educar, pois quando organizamos ou participamos de eventos locais, exposições ou visitas guiadas, a sociedade civil conscientiza um público mais amplo sobre a importância de sua história.
O Instituto Ruth Guimarães não somente faz parte de nossa história, está continuando a fazer história. Acompanhe, participe! Nossa luta está apenas começando.









