DEPOIMENTOS

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Em 2010, quando assumiu a presidência da UBE – União Brasileira de Escritores – Joaquim Maria Botelho convidou-me para ser o diretor de Comunicação de sua gestão. Nem ele sabe, e o revelo agora, que um dos motivos que me levaram a aceitar o desafio foi a perspectiva de, já entrando nos meus outonos, realizar um sonho de garoto leitor: conhecer e conviver com aquelas pessoas que compartilhavam conosco o talento da escrita, transportando para o papel histórias e causos da vida como ela é ou de como poderia ser nas asas da imaginação. Das reuniões protocolares aos papos informais, veio o histórico Congresso Brasileiro de Escritores realizado em novembro de 2011 em Ribeirão Preto. Embora já a conhecesse pessoalmente, foi ali que se me revelou o perfil definitivo da autora de Água Funda e dos seus Filhos do Medo. Eu me perguntava: como é que aquela mulher conseguia conciliar sua atribulada vida pessoal com a missão de ensinar e descreve-la em palavras e signos sem deixar revelar qualquer azedume ou indícios de autocomiseração. Fui entende-la um pouco mais, mas nunca o bastante para decifrá-la, a partir da convivência com os filhos dela, Joaquim na proa. De Ruth Guimarães tudo o que se disser com o intuito de definir o ser humano que ela foi talvez não seja suficiente. A resposta está no seu legado. Para ela dedico um só adjetivo, que considero a síntese da mulher-tudo: singular. Fui um privilegiado por ter bebido um golinho na sua fonte. Obrigado, senhora!

Daniel Pereira
MG 4357 Instituto Ruth Guimarães A pessoa Ruth Guimarães dizia

A pessoa Ruth Guimarães dizia que suas credenciais eram ser: mulher, escritora, negra e caipira. E acrescento ainda que era mãe, professora. E principalmente educadora em parceria com seu primo, marido e companheiro José Botelho. Na cidade em que nasceu ela é a dona Ruth, muito simplesmente.
Quanto a descoberta do dom de escrever e de nós sermos incentivados; ela não descobriu, quando viu já estava fazendo. O incentivo era o modelo diário. Lemos porque ela lia, escrevemos porque ela escrevia, fazemos cultura porque a acompanhávamos em todos os eventos desde que nascemos. Ajudávamos a fazer fichas bibliográficas para os seus livros, a pesquisar ilustrações – quando nos demos conta já estávamos fazendo também. Porque era natural como andar ou falar.
Quanto a condição de ser negra, para ela não existiu fase difícil para ser escritor, em virtude de preconceito, falta de reconhecimento, censura, etc. Os processos externos não existiam. Ela não escrevia para obter glória ou fama. Escrevia porque era necessário, escrevia como respirava. Era ela e sua máquina de escrever, suas pilhas de papel em cima da mesa, a filharada toda em volta, o marido acompanhando. Viver era sua prioridade, seus livros iam se fazendo. A cor de sua pele nunca a impediu de trabalhar, nem escrever. Ela sempre foi admirada entre seus pares: incentivada por Mário de Andrade e Amadeu Amaral, José Paulo Paes e tantos outros. Era a caçula da turma, o jovem talento. A censura nunca a atingiu porque suas críticas eram inteligentes e implícitas. E mesmo quando explicitas não a expuseram o suficiente. Ela e o marido trabalharam juntos como repórter e fotógrafo da Revista Manchete e tiveram que fugir algumas vezes para não perderem suas reportagens. Driblaram seus perseguidores. Mas era apenas uma aventura, não um percalço. Não foi difícil para eles, primeiro porque estavam juntos e segundo porque viver era preciso.
Diante de tudo e de enfrentar a Síndrome de Alport em três de seus filhos, Ruth para mim foi e é um exemplo de vida, guerreira, com austeridade e com simplicidade.

Olavo Guimarães Botelho
rosangela cardoso Instituto Ruth Guimarães Gente, preciso partilhar as minhas

Gente, preciso partilhar as minhas impressões sobre a leitura de Água Funda, de dona Ruth Guimarães, escritora e intelectual negra. Nossa! Eu li de uma sentada, nunca me senti tão acolhida, parece que era minha mãe contando os causos… várias passagens me são muito familiares. tem uma cantiga que minha mãe tentava ensinar eu e minha irmanzinha cantar, rsrsrs, a mãe dizia que uma devia fazer a primeira e a outra a segunda voz, mas a gente desembestava num ritmo só e desafinado, a mãe proferia uma meia dúzia de cruzincredu e parava com a ensinâncias, rsrsrs. A cantiga está no romance e me tirou lágrimas ao ler, é assim:
“Cada vez que o galo canta, ai, ai,
Eu também quero cantar, ai, ai,
Galo canta de alegria, ai, ai,
Eu canto pra não chorar, ai, ai.
Na hora que o galo canta, ai, ai,
Lá pras bandas de onde eu moro, ai, ai,
Quando me aperta a saudade, ai, ai,
Saio no terreiro e choro, ai, ai”.
Eu e a Divina Cardoso desembestávamos no aiaiaiai e seguíamos ribanceira abaixo, rsrsrsrs
Quero aqui deixar registrada a minha emoção, gratidão e felicidade proporcionada por esta leitura. Assim, sugiro que comprem o livro, Divina Cardoso, Ivone Cardoso, Leidiane Cruz, Pola Bonadio,Fabrício Cardoso, Marcelo Cruz Antonio Gonçalves Luceny Gooh Luis Augusto Jabiraka enfim, família Cardoso em geral, vcs vão constatar todas as lembranças da Dindinha contando histórias pra gente, por meio deste romance. É lindo!!!!!🖤🖤🖤🖤🖤
Dona Ruth gostava de ressaltar que era caipira, assim como nós somos e a Dindinha também dizia. #Somosmesmocaipiras #Somosdomato #CausosdeMinas

Rosangela Cardoso